A Casas Bahia enxugou estoques dados em garantia e cortou milhares de postos de trabalho enquanto aguarda definição sobre sua recuperação judicial.
A rede de varejo Casas Bahia passou por mudanças drásticas em sua estrutura operacional nos últimos meses. Dados recentes revelam uma retração expressiva nos volumes de mercadorias oferecidas como garantia a credores e um corte profundo no quadro de colaboradores, refletindo o momento crítico que a companhia atravessa no mercado nacional.
As informações foram detalhadas em um laudo técnico elaborado pela ACFB Administração Judicial, equipe nomeada pela Justiça para monitorar a saúde financeira da empresa. O documento aponta que a companhia busca se adaptar a uma nova realidade financeira enquanto aguarda o aval definitivo para o processamento de sua recuperação judicial.
Retração de garantias e impacto no pessoal
Entre os meses de abril e agosto, o estoque fiduciário da varejista despencou 40,5%. Isso significa que o volume de produtos dados como garantia a credores caiu de R$ 3,18 bilhões para R$ 1,89 bilhão. Paralelamente, a rede reduziu sua força de trabalho com o desligamento de 4.647 funcionários no mesmo intervalo.
Apesar da diminuição significativa nos ativos de segurança, a operação comercial manteve-se em grande parte ativa. A perícia judicial constatou que 735 das 744 unidades físicas continuam de portas abertas, assim como 25 dos 29 centros de distribuição da marca, além do funcionamento normalizado no e-commerce e na fábrica Bartira.
Mesmo em um cenário no qual os credores retirassem esses produtos, não haveria paralisação imediata da operação, mas o volume disponível para venda diminuiria.
Reestruturação e próximos passos da rede
O processo de reestruturação da Casas Bahia também incluiu o encerramento das atividades de 298 unidades comerciais, conforme apontado pelo levantamento pericial. Atualmente, a empresa administra uma despesa mensal de aproximadamente R$ 66 milhões referente ao aluguel de 765 imóveis, enfrentando ordens de despejo em localidades específicas, como Itaúna (MG) e Sarandi (PR).
O futuro da companhia dependerá dos próximos desdobramentos jurídicos relacionados ao seu pedido de soerguimento financeiro. Analistas do setor acompanham de perto se a otimização de custos e o encolhimento da estrutura serão suficientes para garantir a sobrevivência a longo prazo da tradicional marca no competitivo mercado brasileiro.













