A Eneva mira leilão de baterias e levanta preocupações sobre a política de preços do setor elétrico.
A empresa Eneva confirmou sua intenção de participar dos próximos leilões de reserva de capacidade, focados especificamente em sistemas de armazenamento de energia por baterias. A declaração foi feita pelo presidente da companhia, Lino Cançado, durante o Encontro Nacional de Agentes do Setor Elétrico (Enase), evento realizado no Rio de Janeiro no último dia 17 de junho.
A estratégia da Eneva se alinha ao seu papel como fornecedora de flexibilidade para a rede elétrica brasileira. Apesar de a regulamentação para esses leilões, conhecidos como LRCaps (Leilões de Reserva de Capacidade), já ter sido publicada e as disputas estarem agendadas para dezembro, alguns detalhes cruciais ainda aguardam definição. Entre eles, a identificação das áreas com capacidade de escoamento de energia, um ponto que o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) tem até 30 de setembro para apresentar.
Desafios logísticos e de mercado em vista
O executivo reconheceu que os cronogramas estabelecidos são factíveis, mas ressaltou possíveis obstáculos. A limitação na infraestrutura de transmissão e os sinais locacionais podem, segundo ele, restringir a magnitude da contratação de novas capacidades. Além disso, Cançado expressou ceticismo em relação a leilões que estipulam requisitos de conteúdo local obrigatórios, argumentando que tal medida pode configurar uma proteção de mercado. A Eneva, contudo, segue em análise para possíveis participações.
Críticas à precificação e o futuro do armazenamento
A discussão sobre a viabilidade econômica de investimentos em armazenamento foi um dos pontos altos da participação de Cançado. Ele criticou o modelo atual de formação de preços no mercado livre de energia, especificamente o controle do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) com limites mínimo e máximo. Para o presidente da Eneva, essa política inibe a competição e a remuneração adequada dos participantes, dificultando que o investimento em baterias se torne atrativo sem a necessidade de mecanismos direcionados.
“Caso houvesse um spread mais livre, o próprio mercado teria incentivos para instalar sistemas de armazenamento.”
Na visão de Cançado, um mercado de energia com maior liberdade de preços naturalmente incentivaria a instalação de sistemas de armazenamento. Ele também fez um balanço positivo sobre o leilão de reserva de capacidade realizado em março para térmicas e hidrelétricas, que recebeu aprovação do Tribunal de Contas da União (TCU). Essa experiência reforça, para ele, a importância de certames de potência previsíveis para um planejamento energético sólido.
O posicionamento da Eneva sinaliza a crescente relevância dos sistemas de armazenamento para a segurança e flexibilidade do sistema elétrico brasileiro. Ao mesmo tempo, as críticas sobre a política de preços destacam a necessidade de um ambiente regulatório que favoreça os investimentos em novas tecnologias, como as baterias, essenciais para a transição energética.





















