A Vattenfall assinou acordos com a Agência Dinamarquesa de Energia para desenvolver os parques eólicos Hesselø e Holmsland, somando 1,8 GW para abastecer 1,8 milhão de lares até 2032.
A Dinamarca deu um passo decisivo para consolidar sua liderança na transição energética europeia ao oficializar o desenvolvimento de dois grandes complexos eólicos offshore. A iniciativa prevê a adição de pelo menos 1,8 gigawatt (GW) de potência à rede elétrica até 2032.
O projeto será liderado pela empresa sueca Vattenfall, que firmou acordo formal com a Agência Dinamarquesa de Energia em 4 de novembro de 2026. A assinatura chancela o resultado da concorrência promovida no segundo semestre do mesmo ano.
Quando estiverem em pleno funcionamento, as estruturas localizadas no Mar do Norte e no estreito de Kattegat terão capacidade para suprir a demanda de eletricidade de mais de 1,8 milhão de residências dinamarquesas e europeias.
Localização estratégica e capacidade dos empreendimentos
Os novos complexos marítimos foram projetados para regiões geográficas distintas da costa dinamarquesa. O parque Hesselø ficará situado ao norte da ilha homônima, na região da Zelândia, com potência mínima garantida de 800 megawatts (MW) e potencial para alcançar 1.200 MW.
Por sua vez, a usina de Holmsland — anteriormente conhecida pelo nome técnico Nordsøen Midt — ficará posicionada no Mar do Norte, em frente a Hvide Sande. Essa instalação terá uma capacidade instalada mínima de 1.000 MW.
A combinação dos dois projetos atingirá a marca de 1.800 MW em condições operacionais ideais. O volume final de turbinas geradoras e a definição dos fornecedores industriais serão ajustados ao longo das próximas etapas de engenharia.
Estrutura financeira e leilão competitivo
As propostas apresentadas pela Vattenfall superaram a concorrência ao oferecer os menores valores por megawatt-hora (MWh) comercializado. Foram registradas tarifas de referência de 504 coroas dinamarquesas para o projeto de Holmsland e cerca de 542 coroas para a usina de Hesselø.
O modelo adotado prevê um contrato por diferença (CfD) com validade de duas décadas a partir da entrada em operação. Esse mecanismo garante previsibilidade aos investidores ao equilibrar as variações de preço do mercado de energia com compensações estatais estipuladas.
O governo fixou limites máximos de suporte financeiro em 15,7 bilhões de coroas para Holmsland e 21,9 bilhões de coroas para Hesselø, resguardando o orçamento público contra custos excessivos.
A diretora afirmou:
“A assinatura dos contratos formaliza os compromissos assumidos na licitação e permite avançar nos estudos detalhados de impacto ambiental e viabilidade.”
Retomada do setor após ajustes regulatórios
O sucesso do certame de 2026 representa a recuperação do mercado eólico offshore dinamarquês. Em 2024, o país enfrentou um cenário adverso quando uma rodada de licitações foi encerrada sem receber nenhuma oferta de operadores privados.
Diante do desinteresse inicial do setor comercial, as autoridades revisaram as diretrizes em 2025 para ofertar um pacote mais flexível e atrativo, somando 2,8 GW em oportunidades de investimento com garantias reduzidas de risco.
As diretrizes atualizadas também impuseram rigorosos compromissos ambientais. As regras cobram soluções para reciclagem das pás dos aerogeradores e medidas explícitas para a proteção da biodiversidade marítima na área de Hesselø.
Infraestrutura e experiência operacional
A Vattenfall já possui ampla bagagem na construção e operação de usinas eólicas na região. A empresa gerencia cinco parques em águas dinamarquesas, como Horns Rev 3 e Kriegers Flak, gerando anualmente 6,5 terawatts-hora (TWh).
Para integrar a nova produção de energia à rede terrestre, a estatal dinamarquesa Energinet realiza estudos técnicos do leito marinho. A conexão demandará uma extensa rede de cabos submarinos e subestações de transformação.
A expansão internacional da companhia inclui frentes paralelas em águas europeias, como os projetos Nordlicht, localizado na Alemanha, e o empreendimento Zeevonk, nos Países Baixos.
Embora os acordos tenham sido formalizados pelos executivos Anne Mette Traberg e Adrian Lübbert, o início efetivo das obras marítimas ainda depende do licenciamento ambiental e da decisão final de investimento.
O cumprimento do cronograma estipulado até o fim de 2032 reforçará decisivamente a matriz energética limpa da Europa, reduzindo a dependência de fontes fósseis na região.









