O governo federal antecipou para 1º de setembro o início de contratos com cinco usinas térmicas, visando reforçar a segurança energética nacional perante a ameaça climática do El Niño.
Para garantir o equilíbrio do Sistema Interligado Nacional (SIN) diante da previsão de um segundo semestre marcado pelo fenômeno El Niño, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) determinou a entrada antecipada de cinco usinas termelétricas. A medida visa mitigar possíveis falhas no fornecimento causadas pela redução da produção hidrelétrica no Norte e pelo aumento acentuado do consumo de energia devido às altas temperaturas.
A decisão alcança um conjunto de empreendimentos que somam mais de 1,8 GW de potência. Entre as usinas contempladas estão unidades de relevância estratégica, como Termomacaé (da Petrobras), Araucária (da Âmbar), Termoceará Diesel, Três Lagoas e a usina Manaus I (da Global).
Reforço na capacidade do sistema
A antecipação dos contratos é vista pelo Ministério de Minas e Energia (MME) como um movimento corretivo. O certame realizado em março deste ano, voltado à reserva de capacidade, contratou apenas 2,2 GW, volume insuficiente frente aos 4,2 GW apontados pelo Plano de Operação Energética (PEN) como necessários para suprir a demanda nos horários de pico.
Além da urgência climática, o comitê levou em conta a eficiência econômica da operação. Segundo análises do MME, o acionamento via contrato de reserva é consideravelmente mais barato do que recorrer a usinas merchant, que operam sem lastro contratual e possuem custos operacionais estimados em 25% superiores.
“A antecipação foi desenhada para garantir que tenhamos a oferta necessária tanto para o final de 2026 quanto para o início de 2027, utilizando critérios que priorizam o menor impacto na tarifa final para o consumidor,” destacaram fontes ligadas ao planejamento do setor.
Histórico de negociações
O movimento governamental não foi repentino. Desde abril, o ministério vinha realizando consultas técnicas junto aos geradores para verificar a viabilidade operacional e o interesse na antecipação do cronograma original de fornecimento. O processo contou com o suporte analítico do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e da Empresa de Pesquisa Energética (EPE).
Com a oficialização desta quarta-feira, as empresas deverão cumprir os novos prazos a partir de setembro, sob risco de aplicação das penalidades previstas em edital caso não iniciem o fornecimento conforme o cronograma ajustado. A medida reforça a estratégia do governo em antecipar soluções técnicas antes que eventuais gargalos energéticos se tornem críticos.























