Clima extremo e conflitos globais pressionam inflação dos alimentos e agravam insegurança alimentar

Clima extremo e conflitos globais pressionam inflação dos alimentos e agravam insegurança alimentar
Clima extremo e conflitos globais pressionam inflação dos alimentos e agravam insegurança alimentar - Foto: Reprodução / Freepik | Pixbay
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Eventos climáticos e tensões geopolíticas elevam preços de alimentos e agravam fome global.

A atual conjuntura global apresenta um cenário desafiador para a segurança alimentar. A convergência de fenômenos climáticos extremos, como ondas de calor persistentes e a intensificação do El Niño, somada a conflitos geopolíticos e à instabilidade nos mercados de energia, tem gerado um efeito cascata que pressiona os preços dos alimentos em todo o mundo.

Dados recentes da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) indicam um aumento de aproximadamente 1% no custo de uma cesta básica de alimentos em julho, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Embora esse percentual possa parecer modesto, ele representa um agravante significativo em regiões já marcadas pela insegurança alimentar, onde cada fração de aumento no custo pode ter consequências devastadoras.

As projeções são ainda mais preocupantes. As Nações Unidas alertam que o impacto do El Niño, previsto para se intensificar a partir de setembro, pode empurrar cerca de 49 milhões de pessoas adicionais para a fome aguda. A análise abrange 45 países que já enfrentam condições de insegurança alimentar, onde as variações nos padrões de chuva, as flutuações de temperatura, inundações e secas causadas pelo fenômeno podem elevar o número total de pessoas em risco de 225 milhões para 274 milhões.

As regiões mais vulneráveis a esses eventos climáticos extremos incluem a América Central e a África Austral. Estima-se que a América Latina e o Caribe possam vivenciar um dos maiores saltos na insegurança alimentar, afetando mais de 16 milhões de pessoas, conforme projeções do Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU. Na África, a segurança alimentar de mais de 18 milhões de pessoas pode ser comprometida, especialmente em áreas rurais onde a agricultura de subsistência, dependente das chuvas, é a principal fonte de sustento. A Ásia e o Pacífico também estão sob alerta, com uma estimativa de 8,2 milhões de pessoas podendo ser levadas a uma situação de emergência alimentar.

Commodities no centro da inflação

No mercado de commodities, o açúcar desponta com um aumento expressivo de 5,6% em julho. As previsões de clima quente e seco na Europa, que podem reduzir a produtividade agrícola, e os efeitos do El Niño na produção asiática são fatores determinantes. Paralelamente, a seca severa que atinge o Reino Unido, com 71% do território em estado de alerta, evidencia os impactos climáticos na agricultura local. Na Índia, cogita-se a restrição do uso da cana-de-açúcar na produção de etanol para priorizar o abastecimento de açúcar e tentar conter a escalada de preços.

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Contudo, o cenário de inflação alimentar não se restringe aos efeitos climáticos. A volatilidade no preço do petróleo, exacerbada por tensões geopolíticas, também desempenha um papel crucial. Desde fevereiro, com o início dos ataques dos Estados Unidos ao Irã, o barril de petróleo registrou alta expressiva, chegando a superar os US$ 100 e tocando máximas próximas a US$ 118 em abril, em decorrência do bloqueio no Estreito de Ormuz. Esses custos adicionais refletem-se no transporte de mercadorias e, consequentemente, nos preços finais dos alimentos.

A persistente guerra entre Rússia e Ucrânia, desde 2022, continua a impactar o mercado global. O índice de preços de óleos vegetais atingiu o maior patamar desde junho de 2022, impulsionado pela demanda do setor de biodiesel na Indonésia e pela alta do petróleo. Os cereais também registraram elevação, com alta de 3,4% em relação a junho, fechando julho 6,9% acima dos preços de julho de 2025.

A FAO destaca que, apesar da estabilidade nos preços do arroz no último mês, os preços globais do trigo apresentaram um acréscimo de 5,8%, devido às interrupções nas exportações do Mar Negro, resultado da invasão russa, e ao impacto das recentes ondas de calor na produção agrícola. O milho também segue a tendência de alta, com um aumento de 3,6%, influenciado por preocupações climáticas nos Estados Unidos e pelos efeitos indiretos de um mercado de energia mais aquecido em meio a elevadas tensões geopolíticas.

Esses fatores, interligados e interdependentes, criam um cenário complexo que exige atenção global e ações coordenadas para mitigar os impactos sobre a segurança alimentar e a estabilidade econômica.

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