O governador de Minas Gerais, Mateus Simões, determinou uma auditoria rigorosa na Cemig SIM e realocou a cúpula da estatal para investigar possíveis irregularidades na subsidiária de energia solar.
Em um movimento estratégico para blindar a gestão de ativos estatais, o governo mineiro anunciou uma reestruturação de comando na Cemig. O governador Mateus Simões (PSD) recomendou a transferência do atual presidente da holding, Alexandre Ramos Peixoto, e do vice-presidente jurídico, Sérgio Pessoa de Castro, para a Cemig SIM, braço da companhia focado no mercado de energia renovável.
A movimentação é uma resposta direta à necessidade de sanear a subsidiária, que se tornou alvo de suspeitas de ingerência política e má conduta. A decisão de deslocar quadros de alta confiança do governo visa assegurar uma investigação minuciosa sobre a integridade das operações recentes da empresa.
Auditoria busca esclarecer supostos desvios
O chefe do executivo estadual foi enfático ao justificar a medida, pontuando que o objetivo é realizar uma varredura completa na Cemig SIM. A intenção é não apenas identificar falhas de compliance, mas também identificar possíveis danos ao patrimônio da estatal e, caso necessário, responsabilizar os envolvidos.
Mateus Simões declarou:
“Estou colocando as duas melhores pessoas que eu tenho para virar essa companhia de cabeça para baixo até a gente ter certeza que nada de errado continua acontecendo e, se alguma coisa de errado aconteceu, que seja apurado até o fim”.
A fala ocorreu durante uma coletiva de imprensa realizada após um encontro com a Faemg. O governador reforçou que, sendo Minas Gerais o maior polo de geração fotovoltaica do Brasil, é inadmissível permitir que uma empresa estratégica seja utilizada como plataforma para esquemas ilícitos. A auditoria promete ser um processo executivo e definitivo.
Contexto de instabilidade e denúncias
O cenário de tensão na Cemig SIM ganhou força após a demissão do ex-diretor comercial, Rubens Soalheiro. O executivo foi afastado sob suspeita de viabilizar transações irregulares entre a estatal e a Green Investimentos, organização ligada a nomes como Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Denúncias formais entregues à Procuradoria Geral da República (PGR) apontam para um suposto favorecimento indevido. Com a transferência de Ramos para a liderança da Cemig SIM e seu posterior movimento para a presidência do conselho de administração — ocupado anteriormente por Márcio Zimmermann —, a cadeira da presidência da holding fica vaga.
Caberá agora ao conselho administrativo definir o sucessor que comandará a Cemig diante dos novos desafios de transparência e governança corporativa.
















