A gigante francesa Voltalia obteve o sinal verde do CZPE para instalar um data center de R$ 181,7 bilhões na ZPE do Pecém, reforçando o hub de tecnologia e energia no Ceará.
A expansão da infraestrutura digital no Brasil ganhou um novo capítulo com a autorização concedida pelo Conselho Nacional das Zonas de Processamento de Exportação (CZPE) para a Voltalia. O projeto, que contempla um aporte bilionário, prevê a instalação de um centro de processamento de dados com uma capacidade de conexão de 322 megawatts (MW), consolidando a região como um dos principais polos de atração para investimentos em tecnologia e energia renovável no país.
O movimento da companhia não é isolado. Em junho do ano passado, a Voltalia já havia oficializado junto ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) o contrato para viabilizar a conexão dessa carga. A iniciativa promete aquecer o mercado de trabalho local, com a estimativa de gerar 2,3 mil postos de trabalho durante a fase de implantação e cerca de 400 vagas diretas para a operação permanente da unidade.
Cenário Regulatório e Desafios Tributários
Embora a aprovação seja um passo fundamental, o projeto ainda enfrenta um ambiente de incertezas tributárias. A validade de benefícios específicos que seriam cruciais para o modelo de negócio foi alterada após o vencimento da Medida Provisória 1.307, no final de 2025. Esse cenário cria um gargalo para empresas que operam com estruturas segregadas, onde a responsável pela infraestrutura do data center é diferente da exportadora dos serviços digitais.
Atualmente, as expectativas do setor estão voltadas para o Congresso Nacional. O avanço do Projeto de Lei 278/2026, que institui o Redata, é visto como a solução para preencher a lacuna normativa. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, sinalizou que o tema será prioridade em uma próxima rodada de esforços concentrados, o que pode destravar emendas que garantem segurança jurídica aos investidores.
Marcelo Mendonça, diretor-executivo da Abegás, afirmou:
Não faz sentido criar bloqueios e excluir o gás natural, que é o energético da transição. Longe de competir com as fontes renováveis, o gás natural oferece o lastro necessário para viabilizar a operação contínua dos datacenters, abrindo caminho também para o desenvolvimento do biometano.
Concorrência e Expansão Estratégica
A ZPE do Pecém já se posiciona como um ecossistema consolidado para projetos de grande escala. Recentemente, o CZPE validou um robusto conjunto de investimentos liderado pela ByteDance, detentora do TikTok, em parceria com a Omnia e a Casa dos Ventos. Esse empreendimento, que supera os R$ 200 bilhões, beneficia-se de uma situação jurídica diferente por ter sido aprovado sob a vigência da antiga MP.
Além do setor de data centers, a região de Bacabeira, no Maranhão, também registrou avanços significativos na mesma reunião do CZPE. Projetos voltados à produção de hidrogênio verde, e-metanol e ferro briquetado a quente (HBI) — estes últimos em parceria com a mineradora Vale — demonstram que a estratégia de atração de investimentos está atrelada à descarbonização industrial.
A inclusão do gás natural como fonte elegível, defendida pela Abegás, emerge como um ponto central de debate. A indústria argumenta que, para manter a competitividade global, o país precisa de garantias de fornecimento contínuo para as estruturas eletrointensivas, complementando a oferta de energia renovável. A decisão do Senado nas próximas semanas definirá o ritmo com que esses bilhões de reais sairão efetivamente do papel, moldando o futuro da infraestrutura digital e da transição energética brasileira.
















