A multinacional Voltalia obteve sinal verde do CZPE para instalar um gigantesco data center na ZPE do Pecém, projeto que promete movimentar R$ 181,7 bilhões no setor de infraestrutura digital.
O setor de tecnologia e infraestrutura energética no Ceará acaba de dar um passo importante. A francesa Voltalia recebeu o aval do Conselho Nacional das Zonas de Processamento de Exportação (CZPE) para avançar com a instalação de um complexo de processamento de dados robusto.
Com uma capacidade prevista de 322 megawatts (MW), o empreendimento não apenas reforça a posição do Pecém como um hub de tecnologia, mas também promete impulsionar a economia local com a criação de milhares de vagas de trabalho.
A iniciativa, que já contava com o suporte do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) desde junho, após a assinatura do contrato de conexão, surge como um marco de investimento privado.
A expectativa é que a fase de construção demande cerca de 2,3 mil postos de trabalho, consolidando-se como um dos pilares de desenvolvimento industrial e digital na região nordestina brasileira.
Desafios regulatórios e o futuro do Redata
Apesar do otimismo, o projeto ainda enfrenta uma etapa de transição burocrática e fiscal. A aprovação do CZPE é uma vitória técnica, mas a empresa ainda precisa finalizar processos junto à Receita Federal.
Um ponto sensível reside na perda de vigência da Medida Provisória 1.307, que oferecia incentivos específicos para data centers, incluindo alíquota zero de PIS/Cofins, desde que operassem com fontes de energia renováveis.
Sobre o cenário político e jurídico que envolve a viabilidade tributária desses investimentos, especialistas observam a expectativa em torno do novo marco legal.
O texto do Projeto de Lei 278/2026, conhecido como Redata, é aguardado como a solução para preencher a lacuna deixada pela expiração da MP anterior.
A mobilização no Congresso Nacional, liderada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, visa priorizar o Redata no próximo esforço concentrado, buscando garantir a segurança jurídica necessária para que projetos bilionários de infraestrutura digital avancem sem sobressaltos fiscais.
A mobilização no Congresso Nacional, liderada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, visa priorizar o Redata no próximo esforço concentrado, buscando garantir a segurança jurídica necessária para que projetos bilionários de infraestrutura digital avancem sem sobressaltos fiscais.
Competitividade e o debate sobre fontes de energia
A ZPE do Pecém tem se tornado um polo de atração global, recebendo projetos de peso como o data center do TikTok, aprovado em circunstâncias anteriores.
Paralelamente, o CZPE também ampliou suas ações ao validar projetos de hidrogênio verde no Maranhão, liderados pela H2X e Hydeas, reforçando a transição energética do país.
Enquanto o debate avança, a Abegás (Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado) tenta incluir o gás natural como fonte elegível para o regime especial.
O setor defende que essa integração seria vital para garantir a continuidade operacional dos centros de dados, assegurando um lastro energético constante que complemente as fontes renováveis em momentos de intermitência.
A decisão final do Legislativo ditará não apenas o futuro da Voltalia no Ceará, mas o ritmo de atração de novos grandes investimentos tecnológicos para o Brasil nos próximos anos.
















