O BNDES avança na estratégia de transição energética ao credenciar sete fabricantes para o leilão de baterias, focando no incentivo à produção nacional de sistemas de armazenamento de energia.
O setor de energia elétrica no Brasil deu um passo estratégico rumo à modernização da rede com o credenciamento realizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Sete companhias foram validadas como fornecedoras aptas a integrar o aguardado leilão de reserva de capacidade, um movimento que busca fortalecer a segurança energética do país através do uso de tecnologias de armazenamento de larga escala.
Entre os nomes selecionados estão gigantes globais e referências nacionais. As empresas brasileiras WEG, Moura e You.On, ao lado das chinesas TBEA, Gotion, Trina e BYD, compõem a lista inicial.
A medida é fundamental para viabilizar o cumprimento das exigências de conteúdo local estabelecidas pelo governo, especialmente para o certame marcado para o dia 2 de dezembro.
O desafio do conteúdo local
Embora o primeiro passo tenha sido dado, o caminho exige rigor técnico. Até o momento, nenhuma das companhias concluiu a segunda etapa do processo, que demanda a comprovação formal de que os sistemas de armazenamento — conhecidos pela sigla SAE — atendem plenamente às exigências de nacionalização dos componentes.
O credenciamento via Sistema CFI atua como uma bússola para o mercado, definindo quais tecnologias serão reconhecidas como nacionais no Produto A do leilão, garantindo que o desenvolvimento industrial acompanhe a evolução da matriz energética brasileira.
Este controle é realizado através do Sistema de Credenciamento de Fornecedores Informatizado (CFI), ferramenta que atua como critério de referência definido pela Portaria Normativa MME nº 136.
Mesmo que as empresas utilizem fontes de financiamento externas, a validação pelo BNDES é o diferencial para atestar que o produto cumpre os requisitos de fabricação interna.
Perspectivas para o mercado de baterias
O leilão de dezembro será um marco divisório. Enquanto o certame do dia 2 reserva espaço exclusivo para tecnologias com conteúdo nacional, o evento subsequente, no dia 4, funcionará sem essa trava específica.
Os vencedores do primeiro grupo terão um prazo estendido, até maio de 2027, para a entrega dos certificados definitivos de conformidade junto ao banco.
Empresas como WEG e Moura largam na frente por já possuírem infraestrutura de produção consolidada no país.
Paralelamente, integradoras como a You.On e diversos players internacionais buscam fortalecer parcerias estratégicas com indústrias locais para viabilizar a montagem e o desenvolvimento de software e firmware de gerenciamento energético (EMS).
Com o avanço dessas exigências, o país sinaliza ao mercado global que pretende não apenas importar tecnologia, mas também desenvolver uma cadeia de valor robusta em torno dos sistemas de armazenamento.
Essa transição é vista como vital para absorver a intermitência das fontes renováveis e garantir a estabilidade do sistema elétrico nacional nos próximos anos.
















