O biometano consolida-se como pilar da segurança energética e da descarbonização no Brasil, impulsionado por nova regulamentação. O 13º Fórum do Biogás, organizado pela ABiogás, debaterá essa ascensão nos dias 11 e 12 de agosto em São Paulo.
O biometano chega a 2026 em um novo patamar na agenda energética brasileira. Antes tratado principalmente como uma alternativa renovável de alto potencial, o combustível passa a integrar, de forma estratégica, a segurança energética e a política nacional de descarbonização do setor de gás natural, com impacto direto sobre produtores e importadores.
É nesse contexto que a Associação Brasileira do Biogás e do Biometano (ABiogás) explora o tema durante a 13ª edição do Fórum do Biogás, nos dias 11 e 12 de agosto de 2026, no São Paulo Expo, na capital paulista. O evento é apresentado oficialmente como o maior encontro setorial da América Latina, reunindo autoridades nacionais e internacionais, além de investidores em biogás e biometano, em uma programação voltada a negócios, regulação, inovação, políticas públicas, segurança e transição energética.
Marco Legal Impulsiona o Biometano na Matriz Energética
O novo cenário é impulsionado pelo Programa Nacional de Descarbonização do Produtor e Importador de Gás Natural e de Incentivo ao Biometano, instituído pela Lei nº 14.993/2024, conhecida como Lei do Combustível do Futuro, e regulamentado pelo Decreto nº 12.614/2025. Segundo a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o programa tem como objetivo incentivar a pesquisa, a produção, a comercialização e o uso do biometano e do biogás na matriz energética brasileira.
A partir desse novo marco, produtores e importadores de gás natural deverão cumprir metas anuais de redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE), definidas pelo Conselho Nacional de Política Energética. O cumprimento poderá ocorrer por meio da aquisição dos Certificados de Garantia de Origem do Biometano, os CGOBs, mecanismo que comprova a origem e a rastreabilidade do biometano produzido e comercializado. A ANP também passou a ter papel central na regulamentação dos procedimentos de alocação e cumprimento das metas, além da certificação dos agentes envolvidos.
Na prática, o programa cria uma ponte entre obrigação regulatória e oportunidade de mercado. Ao estabelecer demanda para o biometano, a política pública tende a estimular novos projetos, ampliar a segurança para investimentos e fortalecer a infraestrutura necessária para escoamento, certificação e comercialização do combustível.
Segundo Josiani Napolitano, Presidente Executiva da ABiogás, esse movimento dialoga diretamente com os principais desafios do setor.
O Brasil reúne todas as condições para liderar a produção de biometano, mas essa liderança depende de transformar potencial em projetos, conectar oferta e demanda, e construir um ambiente regulatório que dê previsibilidade aos investimentos. O biometano já demonstrou sua capacidade de contribuir para a descarbonização, a segurança energética e economia circular. Agora, o desafio é acelerar sua inserção na matriz energética e consolidá-la como um ativo estratégico para a competitividade do país.
Crescimento Exponencial do Biometano e seu Potencial Estratégico
O biometano é o segmento que mais cresce dentro desse universo. Embora represente apenas 11% do número total de plantas em operação, já concentra cerca de 34% de todo o volume de biogás aproveitado no país, reflexo da escala superior das unidades de purificação (upgrading). Segundo dados da ANP, o Brasil tem, até junho de 2026, 69 unidades produtoras de biometano cadastradas, sendo 21 já autorizadas para comercialização e outras 48 em processo de autorização, o que deve levar o país a ter cerca de 3,37 milhões de Nm³/dia de capacidade instalada de biometano até 2028.
De acordo com o Panorama do Biogás 2025, estudo anual elaborado pelo CIBiogás, o Brasil soma atualmente 1.803 plantas de biogás cadastradas, das quais 1.727 já estão em operação, um crescimento médio de 15% ao ano (CAGR) nos últimos cinco anos, ritmo que o próprio estudo aponta como aproximadamente cinco vezes superior à expansão média do PIB nacional no período. A capacidade instalada de produção de biogás no país chega a aproximadamente 4,96 bilhões de Nm³ por ano.
Estudos da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) citados pelo Panorama indicam que a meta de descarbonização prevista na Lei do Combustível do Futuro, a ser definida anualmente pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), pode elevar a demanda por biometano a aproximadamente 7 bilhões de metros cúbicos anuais antes de 2035, um salto de até 15 vezes em relação ao patamar atual.
O Fórum do Biogás: Uma Trajetória de Recordes e Debates Cruciais
A nova edição do Fórum do Biogás dá sequência a uma trajetória de crescimento. Em setembro de 2025, o 12º Fórum do Biogás reuniu mais de 1.500 participantes e 55 patrocinadores no São Paulo Expo, números que, segundo a organização, confirmaram o evento como o maior encontro do setor na América Latina.
A edição anterior também marcou a assinatura de um decreto municipal pelo então prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, para ampliar o uso do biometano na frota de ônibus da cidade, além do lançamento de uma plataforma de dados em Power BI desenvolvida pela ABiogás para reunir informações regulatórias, tributárias e financeiras do setor.
O biogás e o biometano deixaram de ser um tema técnico de nicho para ocupar a agenda de investimentos do país. O Fórum é o espaço onde essa conversa acontece com a presença de quem decide: do poder público ao investidor.
Afirma Tiago Santovito, dire























