O avanço da safra de cana impulsionou a oferta de biocombustível, fazendo com que a relação de preços entre etanol e gasolina caísse para 67,9% em junho, tornando a opção mais vantajosa para motoristas de veículos flex.
Abastecer o veículo nunca foi uma tarefa tão estratégica. Em junho, o cenário para os motoristas de carros flex mudou favoravelmente, com o etanol retomando seu posto como a opção mais econômica nas bombas. Segundo o novo Monitor de Preços de Combustíveis, uma iniciativa da Veloe em parceria técnica com a Fipe, a relação de paridade entre o biocombustível e a gasolina atingiu 67,9%.
Esse índice é um marco importante, pois situa-se abaixo da barreira dos 70%, patamar que o mercado utiliza como referência para definir se o uso do derivado da cana-de-açúcar é financeiramente mais vantajoso que o combustível fóssil. Este resultado interrompe uma sequência de meses em que a paridade estava próxima ou acima desse limite, trazendo um alívio necessário ao bolso do consumidor.
O impacto da safra e a competitividade do biocombustível
O principal motor dessa mudança foi a queda expressiva de 4,7% no preço médio do etanol hidratado durante o mês de junho. Com o avanço da moagem da cana-de-açúcar no Centro-Sul do país, a maior oferta do produto no mercado interno permitiu que o preço médio do litro chegasse a R$ 4,265. Nas capitais, o custo médio ficou em R$ 4,425, consolidando o ganho de competitividade do combustível renovável frente aos derivados de petróleo.
Enquanto o etanol apresentou uma retração significativa, a gasolina comum e a aditivada tiveram movimentos de queda muito mais contidos, oscilando apenas 0,3% para baixo. Esse descompasso entre a oferta crescente do biocombustível e a estabilidade dos derivados fósseis é o que explica a nova atratividade observada nos postos de combustíveis brasileiros.
Cenário dos derivados de petróleo e o acumulado do ano
Embora o cenário para o etanol seja positivo, os demais combustíveis ainda refletem um primeiro semestre de alta pressão inflacionária. O diesel, essencial para o transporte de cargas, apresentou quedas em junho, mas ainda acumula valorizações expressivas ao longo de 2026, com o S-10 registrando um aumento de 15,1% no acumulado do ano. A gasolina também apresenta alta acumulada de 7,1%, reforçando a disparidade com o etanol, que é o único a apresentar deflação no semestre.
Sobre a dinâmica de preços, Mauro Kondo, superintendente de Negócios B2B da Veloe, destaca:
“O comportamento dos preços em junho consolida um processo de acomodação iniciado no mês anterior, mas ainda não reverte integralmente as pressões acumuladas ao longo de 2026. A principal mudança ocorreu no etanol, cuja maior oferta elevou sua competitividade frente à gasolina, enquanto os derivados de petróleo continuam condicionados tanto ao cenário internacional quanto à dinâmica doméstica de repasses.”
Perspectivas para a energia limpa e o futuro dos combustíveis
O alívio recente nos preços dos combustíveis é fruto de uma combinação de fatores: a forte safra agrícola doméstica, que favorece a transição para uma energia limpa e sustentável, somada a um cenário internacional de petróleo um pouco menos tensionado. A retomada de fluxos logísticos globais ajudou a reduzir o prêmio de risco, influenciando positivamente o mercado interno.
Apesar da tendência de queda, o consumo permanece robusto devido à alta atividade econômica, o que limita a velocidade de repasses negativos mais agressivos ao consumidor final. Para quem busca economizar, o acompanhamento periódico do Monitor de Preços de Combustíveis torna-se uma ferramenta essencial para a gestão do orçamento e para a escolha inteligente entre fontes de sustentabilidade energética nas rodovias brasileiras.
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