Aneel revoga outorgas de solares da Newen por inviabilidade de projetos

Aneel revoga outorgas de solares da Newen por inviabilidade de projetos
Aneel revoga outorgas de solares da Newen por inviabilidade de projetos - Foto: Reprodução / Freepik | Pixbay
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Em meio a atrasos prolongados e falta de avanço, Agência Nacional de Energia Elétrica encerra outorgas de projetos solares da Newen.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) tomou uma decisão contundente ao revogar as outorgas de três usinas solares fotovoltaicas da empresa Newen, destinadas a Pernambuco. A medida ocorre após a agência negar um pedido da companhia para isenção de responsabilidade, que buscava justificar atrasos superiores a três anos com base em eventos relacionados à Operação Black Flag.

A Newen argumentou que o bloqueio de ativos no valor de R$ 9,26 milhões, ocorrido em maio de 2021 no contexto da referida operação, somado a outros fatores, a levaram à recuperação judicial e comprometeram os cronogramas dos empreendimentos. Contudo, a análise técnica da Aneel considerou a justificativa insuficiente, apontando a ausência de um nexo causal direto e a falta de diligência da empresa na gestão dos projetos.

Projetos Paralisados e Cronogramas Irrealistas

Os empreendimentos, denominados Zimba Envolvere I a Zimba Envolvere III, com uma capacidade instalada total de 144,35 MW, apresentaram um descompasso alarmante entre o planejamento inicial e a realidade atual. O início das obras civis, que estava previsto para março de 2023, foi adiado para junho de 2026, configurando um atraso de 1.159 dias.

Paralelamente, a entrada em operação comercial, originalmente planejada para novembro de 2023, agora é esperada para a mesma data em 2026, acumulando um atraso superior a 900 dias. A equipe técnica da Aneel concluiu que a falta de datas concretas para o início das obras e para a operação comercial demonstra a inviabilidade dos projetos no curto e médio prazo.

“A avaliação da área técnica que embasou a decisão é de que não há sequer uma data concreta para início das obras, tampouco para entrada em operação, o que evidencia a inviabilidade dos empreendimentos no curto e médio prazo.”

Falta de Condições Essenciais e Histórico Preocupante

Apesar do longo período desde a outorga, a Aneel constatou que os projetos não avançaram em etapas cruciais. Não há contratação de equipamentos, obras ou serviços de engenharia, tampouco financiamento estruturado ou comercialização de energia.

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No âmbito ambiental e regulatório, a situação também é crítica, com licenças vencidas, ausência de autorização para o sistema de transmissão de interesse restrito (SIR) e pendências junto a órgãos como Iphan e Funai. A análise da Aneel reforça que o problema reside na inexistência das condições básicas para o início dos empreendimentos.

A Newen tentou argumentar que decisões judiciais reconheceram excessos na Operação Black Flag, configurando caso fortuito. No entanto, a área técnica da agência rejeitou o argumento, citando precedentes e a falta de comprovação dos requisitos legais, como imprevisibilidade e nexo causal direto. A agência ressaltou que, mesmo após o desbloqueio dos ativos em fevereiro de 2023, a empresa não demonstrou esforços para retomar os projetos.

O caso da Newen em Pernambuco se soma a um histórico recente de dificuldades da empresa com projetos solares na Bahia. Em setembro de 2024, a Aneel já havia revogado autorizações de usinas do complexo Solar Newen X A a XII B (350 MW) por descumprimento de cronogramas.

Apesar do cenário, a Solar Newen Bahia Energia, empresa do grupo em recuperação judicial, obteve autorização para implantar 29 usinas fotovoltaicas na Bahia, totalizando 1.268,23 MW. A empresa, que chegou a ficar impedida de obter novas outorgas, foi habilitada novamente após cumprir prazos e regularizar a documentação.

Em sua defesa junto à Aneel, a Newen informou que seu plano de recuperação judicial prevê a venda de projetos de geração para pagamento de credores. O processo de recuperação teve início em 2021, com uma dívida declarada de R$ 179,3 milhões, após a empresa comunicar a incapacidade de cumprir contratos de compra e venda de energia.

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