Um estudo do Centro de Liderança Pública revela que a alta carga de encargos e ineficiências na rede neutraliza o potencial competitivo da energia limpa no Brasil.
Apesar de o Brasil possuir uma das matrizes elétricas mais sustentáveis e renováveis do mundo, esse diferencial não tem se traduzido em tarifas acessíveis para o consumidor final ou para o setor produtivo. Um levantamento recente realizado pelo CLP (Centro de Liderança Pública) aponta que uma série de fatores regulatórios, tributários e operacionais eleva artificialmente o custo da eletricidade, drenando a competitividade econômica do país.
O cerne do problema, segundo a análise, não reside na geração em si, mas no custo final entregue ao cliente. Enquanto o país investe na expansão de fontes como a energia solar e eólica, a composição da fatura mensal é sobrecarregada por uma sucessão de taxas e decisões políticas que distanciam o preço cobrado daquilo que é gasto para produzir a energia propriamente dita.
O impacto real no poder de compra
Embora o preço nominal da energia no Brasil pareça alinhado a patamares internacionais quando convertido diretamente, a percepção muda drasticamente ao considerar a paridade do poder de compra. Quando ajustamos o valor ao custo de vida real da população brasileira, a tarifa se torna desproporcionalmente alta, pesando severamente tanto no orçamento das famílias quanto nas planilhas de custos das empresas nacionais.
Essa distorção é um obstáculo crítico para o crescimento industrial. O estudo sugere que o país acaba perdendo relevância na atração de investimentos globais, justamente por falhar na conversão de seus abundantes recursos naturais em um insumo energético de baixo custo, algo que concorrentes internacionais conseguem viabilizar com maior eficiência.
A conta de luz: o que estamos pagando?
Os números do CLP são reveladores sobre a ineficiência do sistema. Em 2025, a energia gerada representou pouco mais de 30% do valor total da conta. O restante é um emaranhado de custos de distribuição, transmissão, impostos elevados e encargos setoriais. Sobre essa estrutura, somam-se as perdas técnicas e não técnicas — estas últimas impulsionadas por fraudes e desvios — que atingem quase 15% do total distribuído.
Além disso, a CDE (Conta de Desenvolvimento Energético) tem crescido de forma preocupante. Trata-se de um fundo que, na prática, repassa custos de diversas políticas públicas diretamente para a tarifa de energia.
“O CLP defende que políticas públicas que não estejam diretamente relacionadas ao fornecimento de energia sejam avaliadas com maior transparência e, quando possível, financiadas pelo Orçamento da União,” ressalta o documento.
Caminhos para uma energia mais barata
O estudo propõe simulações para demonstrar o efeito de reformas estruturais. Ao isolar os componentes da tarifa, percebe-se que uma revisão na CDE e na carga tributária poderia reduzir drasticamente o impacto da eletricidade no custo de vida. Em um cenário mais abrangente, onde a carga de impostos fosse reduzida pela metade, o custo da energia para os brasileiros alcançaria patamares muito mais competitivos.
O futuro do setor elétrico nacional depende da capacidade do governo e da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) em simplificar a estrutura tarifária. O diagnóstico é claro: o Brasil tem a fonte e a capacidade de ser um líder mundial em energia de baixo custo, mas precisa remover as travas regulatórias que hoje impedem que essa realidade chegue ao consumidor.





















