O desenvolvimento estratégico da cadeia de minerais críticos no Brasil pode injetar R$ 192 bilhões no PIB nacional até 2050, impulsionando a industrialização e gerando centenas de milhares de empregos.
O Brasil possui uma oportunidade singular para transformar sua matriz econômica por meio da exploração inteligente de recursos minerais. Um novo estudo técnico, elaborado por especialistas da UFMG e da UFJF sob encomenda da Amcham, aponta que o país pode alcançar um incremento de R$ 192 bilhões no PIB nas próximas décadas. O foco central dessa projeção é a transição para um modelo de valor agregado, deixando de ser apenas um exportador de matéria-prima.
A pesquisa destaca que o sucesso dessa empreitada depende de como o país lidará com a extração e o processamento de itens essenciais, como lítio, cobre, níquel, grafita e terras raras. Esses elementos são os pilares da transição energética global e fundamentais para a soberania industrial e a produção de novas tecnologias, como baterias e veículos elétricos.
Cenários e o impacto na industrialização
O levantamento comparou duas estratégias distintas para os próximos 25 anos. Em um cenário focado estritamente na exportação de insumos brutos com capital exclusivamente nacional, o ganho para a economia seria de R$ 128,7 bilhões, com a criação de 304 mil vagas de trabalho. Já no modelo que prioriza a atração de capital externo e o fortalecimento da indústria de transformação local, o impacto sobe para R$ 192,1 bilhões, com potencial para gerar 750 mil novos postos de emprego.
A diferença reside na capacidade de processar esses insumos dentro do território brasileiro. Atualmente, o país ainda sofre com a baixa industrialização de seus minérios. Dados revelam que, em 2023, apenas uma fração ínfima do lítio extraído foi processada internamente, limitando o potencial de lucro e inovação do setor extrativo mineral.
“Em 2023, por exemplo, apenas 5% do lítio extraído no país foi processado internamente, e o níquel refinado representou menos de 40% da produção total.”
O papel do investimento estrangeiro e da soberania
O debate sobre a abertura do mercado brasileiro ao capital internacional é um dos pontos mais sensíveis da estratégia atual. Para a Amcham, a entrada de parceiros globais não deve ser vista como uma ameaça à soberania, mas como um motor necessário para converter a riqueza mineral em tecnologia e desenvolvimento sustentável para a indústria nacional.
“Quanto maior for a capacidade de atrair investimentos, maior será a transformação dessa riqueza mineral em valor, tecnologia, empregos e desenvolvimento industrial e econômico.”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.
O Congresso Nacional está atualmente avaliando o projeto de lei que cria uma política nacional para esses minerais. O texto, que já passou pela Câmara, busca equilibrar o incentivo ao beneficiamento interno com salvaguardas sobre o controle estrangeiro, preparando o terreno para que o Brasil assuma um papel de protagonismo global. O desafio agora é harmonizar essas políticas para garantir que o crescimento do setor mineral resulte em um salto qualitativo para toda a economia nacional.





















