Etanol brasileiro pode gerar até 150 bilhões anuais ao descarbonizar transporte marítimo global

Etanol brasileiro pode gerar até 150 bilhões anuais ao descarbonizar transporte marítimo global
Etanol brasileiro pode gerar até 150 bilhões anuais ao descarbonizar transporte marítimo global - Foto: Reprodução / Freepik | Pixbay
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O setor sucroenergético brasileiro vislumbra uma nova fronteira econômica, com potencial de movimentar até R$ 150 bilhões anuais ao posicionar o etanol como combustível chave para navios de carga.

O transporte marítimo mundial enfrenta uma pressão sem precedentes para reduzir sua pegada ambiental. Responsável por cerca de 3% das emissões globais de carbono e detentor de mais de 80% do volume do frete internacional, o setor de navegação busca alternativas urgentes ao óleo combustível fóssil, o chamado bunker. Nesse contexto, o Brasil surge como um protagonista estratégico, capaz de fornecer volumes massivos de etanol de cana-de-açúcar e milho para impulsionar essa transição verde.

A expectativa da indústria é que a adoção do biocombustível brasileiro possa gerar uma receita anual bilionária, consolidando o país como o principal hub de exportação de energia limpa para os oceanos. O otimismo é sustentado pelo avanço das regulações internacionais, que buscam punir a poluição excessiva e tornar as alternativas renováveis financeiramente competitivas.

O papel estratégico da regulação global

A virada de chave para o etanol depende diretamente das decisões da Organização Marítima Internacional (IMO). Com a implementação de mecanismos de precificação de carbono, que podem taxar as emissões entre US$ 100 e US$ 380 por tonelada de CO2, o custo do combustível fóssil deve subir consideravelmente. Esse cenário tornaria a opção brasileira, produzida pela Inpasa e outros gigantes do setor, uma alternativa viável e economicamente atrativa.

“A aprovação do mecanismo Net Zero da IMO tem o potencial de alavancar a demanda pelo biocombustível brasileiro de cana e milho em 25 bilhões de litros por ano.”

Gustavo Mariano, vice-presidente de Trading na Inpasa, reforça que o Brasil precisa navegar com agilidade por três pilares regulatórios: as exigências da norma FuelEU Maritime na Europa, a articulação diplomática na IMO e a consolidação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE). Essa tríade será decisiva para garantir que o produto nacional tenha rastreabilidade e competitividade no mercado de bunker.

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Parcerias e o futuro da navegação

A viabilidade técnica do projeto já tem sido testada na prática. Iniciativas como a colaboração entre a Copersucar e a Bunker One, que realizaram o primeiro abastecimento transoceânico no litoral brasileiro, demonstram que a infraestrutura está evoluindo. O interesse de potências como a Maersk sinaliza que o mercado internacional já enxerga no Brasil um fornecedor estável e capaz de suprir as novas exigências ambientais.

O próximo passo, fundamental para o sucesso do projeto, será o amadurecimento do mercado de carbono. Enquanto a volatilidade dos combustíveis fósseis ainda é uma preocupação, a definição de um preço mais consistente para o carbono servirá como o grande incentivo que falta para que armadores de todo o planeta migrem definitivamente para o etanol, garantindo que o transporte marítimo navegue rumo a um futuro de baixa emissão.

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