O setor sucroenergético brasileiro vislumbra uma nova fronteira econômica, com potencial de movimentar até R$ 150 bilhões anuais ao posicionar o etanol como combustível chave para navios de carga.
O transporte marítimo mundial enfrenta uma pressão sem precedentes para reduzir sua pegada ambiental. Responsável por cerca de 3% das emissões globais de carbono e detentor de mais de 80% do volume do frete internacional, o setor de navegação busca alternativas urgentes ao óleo combustível fóssil, o chamado bunker. Nesse contexto, o Brasil surge como um protagonista estratégico, capaz de fornecer volumes massivos de etanol de cana-de-açúcar e milho para impulsionar essa transição verde.
A expectativa da indústria é que a adoção do biocombustível brasileiro possa gerar uma receita anual bilionária, consolidando o país como o principal hub de exportação de energia limpa para os oceanos. O otimismo é sustentado pelo avanço das regulações internacionais, que buscam punir a poluição excessiva e tornar as alternativas renováveis financeiramente competitivas.
O papel estratégico da regulação global
A virada de chave para o etanol depende diretamente das decisões da Organização Marítima Internacional (IMO). Com a implementação de mecanismos de precificação de carbono, que podem taxar as emissões entre US$ 100 e US$ 380 por tonelada de CO2, o custo do combustível fóssil deve subir consideravelmente. Esse cenário tornaria a opção brasileira, produzida pela Inpasa e outros gigantes do setor, uma alternativa viável e economicamente atrativa.
“A aprovação do mecanismo Net Zero da IMO tem o potencial de alavancar a demanda pelo biocombustível brasileiro de cana e milho em 25 bilhões de litros por ano.”
Gustavo Mariano, vice-presidente de Trading na Inpasa, reforça que o Brasil precisa navegar com agilidade por três pilares regulatórios: as exigências da norma FuelEU Maritime na Europa, a articulação diplomática na IMO e a consolidação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE). Essa tríade será decisiva para garantir que o produto nacional tenha rastreabilidade e competitividade no mercado de bunker.
Parcerias e o futuro da navegação
A viabilidade técnica do projeto já tem sido testada na prática. Iniciativas como a colaboração entre a Copersucar e a Bunker One, que realizaram o primeiro abastecimento transoceânico no litoral brasileiro, demonstram que a infraestrutura está evoluindo. O interesse de potências como a Maersk sinaliza que o mercado internacional já enxerga no Brasil um fornecedor estável e capaz de suprir as novas exigências ambientais.
O próximo passo, fundamental para o sucesso do projeto, será o amadurecimento do mercado de carbono. Enquanto a volatilidade dos combustíveis fósseis ainda é uma preocupação, a definição de um preço mais consistente para o carbono servirá como o grande incentivo que falta para que armadores de todo o planeta migrem definitivamente para o etanol, garantindo que o transporte marítimo navegue rumo a um futuro de baixa emissão.




















