A gigante do setor elétrico EDP registrou lucro de 1,19 bilhão de euros, impulsionado pela operação global, enquanto prepara uma transição de comando prevista para 2027.
A EDP apresentou números robustos no balanço acumulado dos primeiros nove meses de 2026, consolidando um crescimento de 25% em seu lucro líquido global.
O desempenho financeiro foi sustentado por um Ebitda recorrente de 4,16 bilhões de euros, uma alta de 11% que reforça a solidez da companhia em um cenário de transição estratégica.
Em paralelo aos bons resultados, a empresa anunciou mudanças importantes em sua governança:
o atual CEO, Miguel Stilwell de Andrade, deixará o cargo ao término de seu mandato, durante a assembleia geral de 2027.
O processo de sucessão já está em curso, com a contratação de uma consultoria independente para avaliar candidatos internos e externos.
Além de Stilwell, a atual presidente do conselho, Vera Pinto Pereira, também confirmou que não pretende seguir nos órgãos sociais da companhia no próximo triênio.
O movimento marca uma renovação significativa na liderança da empresa, que busca manter a trajetória de crescimento e valorização de seu portfólio de energias renováveis.
Desafios e resultados no Brasil
Embora o cenário global seja de expansão, a operação da EDP Renewables (EDPR) no Brasil enfrentou obstáculos pontuais entre janeiro e setembro de 2026.
A geração de energia renovável no país recuou 12%, caindo para 2.624 GWh.
O fator de utilização dos ativos também registrou uma queda, passando de 31,3% para 23,1%.
Contudo, o impacto negativo no volume foi mitigado por uma valorização expressiva nos preços de venda:
o valor médio da energia comercializada pela EDPR no mercado brasileiro saltou 24%.
Miguel Stilwell de Andrade destacou em comunicado:
“Liderar a EDPR é um verdadeiro privilégio e tenho um imenso orgulho naquilo que alcançámos em conjunto. Tornamos a EDPR numa empresa de energias renováveis mais forte e verdadeiramente global, com um portfolio resiliente e focado, uma estratégia de crescimento que privilegia a criação de valor, com destaque para o desempenho excecional nos EUA, e uma sólida trajetória de crescimento dos resultados”
Estratégia para o futuro e demanda por data centers
A EDP observa com otimismo a crescente demanda de energia impulsionada pela expansão global de data centers.
Para atender a esse novo perfil de consumidor, especialmente nos Estados Unidos e na Península Ibérica, a companhia planeja alavancar seu pipeline de projetos.
A projeção é de que cada 1 GW de nova demanda para data centers exija, em média, 4 GW de capacidade adicional de geração renovável e sistemas de armazenamento em baterias.
Para o fechamento de 2026, a confiança nos resultados levou a empresa a revisar para cima suas projeções, estimando um Ebitda de 5,4 bilhões de euros.
Com mais de 85% do volume de energia já assegurado por contratos de longo prazo, a EDP aposta na resiliência de seus ativos e na estratégia contínua de rotação de ativos — que rendeu ganhos significativos no período — para sustentar o crescimento nos próximos anos, mesmo diante dos desafios climáticos e operacionais que pontuam a geração renovável em mercados específicos como o Brasil.









