Polícia do DF atua contra apostas ilegais e golpes digitais, desarticulando esquemas bilionários e fraudes em larga escala.
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou nesta quinta-feira (05) duas operações de grande porte, voltadas ao combate de crimes cibernéticos e lavagem de dinheiro com alcance nacional. A ação visa desmantelar organizações criminosas que utilizam métodos sofisticados, como criptoativos e contas de laranjas, para ocultar atividades ilícitas.
As investigações apontam para esquemas complexos que movimentam quantias expressivas, envolvendo desde plataformas de apostas esportivas não autorizadas até golpes digitais aplicados em larga escala. A PCDF mobilizou equipes em diversos estados para cumprir mandados e apreender bens.
Operação Azzardo: Apostas Ilegais e Lavagem Bilionária
A principal frente de atuação, batizada de Operação Azzardo, concentrou-se em desarticular uma rede que operava apostas de quota fixa sem a devida regulamentação federal. Essa operação, iniciada há cinco meses após alertas do Ministério da Fazenda, identificou o uso de fachadas como clínicas e lojas de tarô em Sobradinho para canalizar pagamentos de apostadores.
O esquema movimentou cifras bilionárias através de empresas de fachada e uma fintech autorizada pelo Banco Central, localizada em São Paulo. Relatórios indicam que cerca de R$ 1 bilhão transitaram por essas empresas ligadas ao esquema. Para dificultar o rastreamento, os valores arrecadados eram rapidamente redistribuídos e convertidos em ativos virtuais.
A justiça determinou o bloqueio de contas de 64 pessoas físicas e 120 jurídicas, totalizando um valor congelado de R$ 3,483 bilhões, além do sequestro de bens e a suspensão de 100 CNPJs. A força-tarefa contou com cerca de 200 policiais civis de estados como São Paulo, Goiás, Paraná, Ceará e Rio Grande do Norte.
Operação Bafo: Golpe da Copa do Mundo
Simultaneamente, a 17ª Delegacia de Polícia deu prosseguimento à Operação Bafo, focando em uma quadrilha especializada em estelionato digital. Nesta segunda fase, mandados foram cumpridos em Mogi das Cruzes (SP), São Paulo (SP) e Curitiba (PR).
Os golpistas criavam sites falsos que simulavam a loja oficial da Panini, lucrando com a venda fictícia de kits de pré-venda de álbuns e figurinhas da Copa do Mundo de 2026. Em menos de dois meses, a quadrilha movimentou aproximadamente R$ 280 mil, convertendo o dinheiro em criptoativos para ocultar a origem ilícita.
Os investigados em ambas as operações responderão por crimes como exploração de loteria não autorizada, estelionato mediante fraude eletrônica, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e organização criminosa. As penas podem ultrapassar 30 anos de reclusão.
As equipes da PCDF seguem empenhadas na análise dos materiais apreendidos, buscando identificar novas ramificações criminosas e garantir a recuperação de valores para as vítimas e para a justiça.









