O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico aprovou a realização de consulta pública para aprimorar a metodologia da EPE que mede a flexibilidade operativa do sistema nacional.
O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) definiu que a proposta metodológica para quantificar a flexibilidade do sistema elétrico nacional será submetida a uma consulta pública. A iniciativa busca ampliar a transparência e recolher contribuições da sociedade e de agentes do mercado antes da consolidação final da norma.
A ferramenta foi desenvolvida pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e tem como objetivo principal mensurar a capacidade de resposta da infraestrutura elétrica frente às oscilações de carga e de geração. Com o avanço das fontes renováveis variáveis na matriz brasileira, a flexibilidade tornou-se um atributo crucial para a segurança do suprimento.
A decisão reflete a preocupação do Ministério de Minas e Energia (MME) e dos órgãos reguladores em alinhar o planejamento da expansão às reais necessidades operacionais do país, garantindo estabilidade ao Sistema Interligado Nacional (SIN).
Desafios da transição e necessidade de métricas
A rápida expansão de usinas eólicas e solares fotovoltaicas alterou a dinâmica de operação da rede elétrica brasileira. Embora limpas e competitivas, essas fontes apresentam variabilidade natural, exigindo que outras tecnologias atuem como suporte rápido quando há queda repentina na produção de energia.
A nova metodologia formulada pela EPE visa justamente mapear quanta flexibilidade o sistema possui e de quanta potência adicional ele precisará nos próximos anos. Isso inclui a avaliação de usinas hidrelétricas com reservatório, térmicas de despacho rápido e soluções emergentes, como sistemas de armazenamento em baterias.
“A mensuração precisa da flexibilidade é fundamental para garantirmos a segurança operacional da rede diante da expansão contínua das fontes renováveis variáveis.”
O apoio técnico do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) tem sido fundamental para validar os critérios que serão debatidos durante o processo consultivo. A intenção é que os parâmetros finais representem a realidade operacional diária dos centros de controle.
Próximos passos e participação do mercado
Com a abertura do processo participativo, agentes da indústria de energia, acadêmicos e associações setoriais poderão enviar contribuições para o aprimoramento dos cálculos e conceitos estabelecidos pela EPE.
A expectativa é que a padronização dessa métrica auxilie na formulação de novos leilões de reserva de capacidade e no desenho de valoração dos serviços anancilares, remunerando adequadamente os empreendimentos que oferecem suporte de potência ao sistema elétrico brasileiro.
A consolidação desta metodologia colocará o Brasil em alinhamento com as melhores práticas internacionais de planejamento energético, assegurando uma transição justa, segura e economicamente eficiente para os consumidores.









