O consumo de gás natural pelas usinas térmicas conectadas às redes de distribuição disparou 49% no primeiro semestre de 2026, impulsionando mudanças no setor energético nacional.
A matriz energética brasileira registrou uma guinada expressiva nos primeiros seis meses deste ano. As usinas termelétricas integradas às redes estaduais de distribuição elevaram consideravelmente a demanda pelo insumo, alcançando um patamar médio de 17 milhões de metros cúbicos diários.
Esse avanço representa o maior índice de crescimento entre todos os segmentos atendidos pelas concessionárias locais. Os dados fazem parte de um balanço oficial divulgado pela Abegás (Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado), que monitora a malha canalizada tradicional do país.
Dinâmica do consumo setorial e liderança industrial
Apesar do salto expressivo das unidades termelétricas, o setor industrial segue soberano no volume absoluto de utilização do insumo. As fábricas registraram uma média de 30,8 milhões de metros cúbicos diários no período, consolidando um incremento anual de 4,5%.
Outros segmentos apresentaram variações distintas ao longo do semestre. O uso do recurso como matéria-prima na indústria química e de fertilizantes cresceu 8%, enquanto o mercado residencial teve alta discreta de 2,3%. Em contrapartida, o setor automotivo encerrou o período com retração de 7,4% na utilização do GNV, e a cogeração de energia recuou 5,3%.
Avanço do mercado livre e debate regulatório
O estudo da Abegás também evidenciou a expansão acelerada das negociações no ambiente de livre contratação. Tomando como base o mês de junho, o volume movimentado nessa modalidade saltou 36,8%, atingindo 34,6 milhões de metros cúbicos por dia.
Diante desse cenário de maior abertura comercial, a entidade setorial voltou a defender mudanças estruturais na governança e na visibilidade dos valores praticados. A proposta é espelhar o modelo adotado no setor elétrico.
Conforme destaca o diretor executivo da Abegás, Marcelo Mendonça:
“Assim como já acontece de forma transparente no mercado cativo, é fundamental requerer a publicidade integral dos contratos de suprimento no mercado livre, fornecendo referências de preços claras e isonômicas para todos os agentes. Atribuir a gestão desse processo e o acompanhamento dessa precificação a uma câmara de comercialização como a CCEE será o passo decisivo para dar a governança e a segurança que o mercado precisa para crescer.”
Paralelamente ao avanço comercial, a infraestrutura de transporte e capilaridade registrou melhorias importantes. A extensão total da rede canalizada expandiu-se em 3,6%, alcançando 47,4 mil quilômetros e ampliando o atendimento para 520 municípios brasileiros até a metade de 2026.










