Fazenda define calendário do mercado de carbono com regras específicas para aviação

5ª reunião do Comitê Técnico Consultivo Permanente (CTCP) do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE) (Foto Washington Costa/MF)
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O Ministério da Fazenda oficializou o calendário do mercado regulado de carbono para 2027, reservando normas específicas para a aviação e antecipando regras para o hidrogênio.

O governo federal deu um passo decisivo para a consolidação da agenda ambiental no setor produtivo. A Secretaria Extraordinária do Mercado de Carbono do Ministério da Fazenda formalizou o cronograma de implementação do mercado regulado no Brasil, estabelecendo prazos claros para a adequação das empresas.

A partir de 2027, indústrias de grande porte deverão monitorar e relatar suas emissões de gases de efeito estufa. A medida marca o início oficial do funcionamento do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), estruturando a transição sustentável do país.

Embora estivesse cotada nas discussões iniciais, a aviação civil não seguirá as regras gerais do SBCE. O segmento terá diretrizes próprias geridas pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Etapas e setores atingidos pelo SBCE

A primeira fase do programa exige a medição, relato e verificação (MRV) de emissões para companhias que lançam pelo menos 10 mil toneladas de gás carbônico equivalente por ano. O impacto inicial atinge menos de 1% dos CNPJs nacionais, concentrando-se em áreas de alta intensidade produtiva.

Entre os setores afetados na estreia estão siderurgia integrada, cimento, extração de petróleo e gás, celulose, mineração de ferro e alumínio. Após 2030, empreendimentos com emissões superiores a 25 mil toneladas anuais passarão a responder aos limites formais do Plano Nacional de Alocação.

“Nos próximos quatro anos, o foco é aprender a medir e reportar as emissões de GEE de maneira padronizada e com rigor metodológico, entendendo que o país vive uma curva de aprendizado. O setor produtivo pode enxergar o Ministério da Fazenda como parceiro”

De acordo com a secretária extraordinária do Mercado de Carbono, Cristina Reis, a iniciativa deve funcionar como indutora de modernização econômica e desenvolvimento tecnológico.

O planejamento do governo prevê uma expansão progressiva até 2029, englobando a indústria alimentícia, setor elétrico, refinarias e cerâmicas. Por fim, até 2031, os meios de transporte rodoviário, ferroviário e aquaviário passarão a integrar o mecanismo.

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Regulamentação do combustível de aviação e hidrogênio

No setor aéreo, a descarbonização ocorrerá por meio do Programa Nacional de Combustível Sustentável de Aviação (ProBioQAV), vinculado à Lei do Combustível do Futuro. A legislação fixa uma meta de redução gradual de emissões de 1% a partir de janeiro de 2027 para voos domésticos, utilizando combustíveis sustentáveis (SAF).

Para garantir a operacionalização dessa meta, a ANP abriu consulta pública para regulamentar aspectos como rastreabilidade, certificação e comercialização dos créditos de sustentabilidade. As normas definitivas das agências reguladoras precisam ser concluídas até o final de 2026.

Paralelamente, a agência reguladora adiantou seu planejamento para o setor de energia limpa. O arcabouço normativo para a certificação do hidrogênio de baixo carbono foi antecipado e deve ser concluído até outubro de 2027, oferecendo segurança jurídica e atratividade para novos investimentos.

A definição dessas diretrizes reforça o compromisso do Brasil em alinhar crescimento produtivo e responsabilidade ambiental. Com o estabelecimento de datas claras, o mercado ganha a previsibilidade necessária para planejar aportes financeiros em tecnologias limpas.

Os próximos anos serão determinantes para que a indústria adapte seus processos operacionais antes da cobrança efetiva de metas. O alinhamento entre órgãos governamentais e o setor privado será o pilar central para o sucesso da transição energética do país.

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