O índice Ibovespa encerrou a quinta sessão consecutiva em queda, acumulando o pior desempenho semanal desde o início da pandemia, enquanto o dólar teve forte valorização no país.
O mercado financeiro brasileiro encerrou mais um período de forte instabilidade. O Ibovespa registrou a quinta desvalorização seguida ao tombar 0,75%, fechando aos 167.921,80 pontos.
Esse resultado consolidou um recuo de 18,12% no acumulado da semana. Trata-se do pior desempenho semanal da bolsa de valores desde março de 2020, impulsionado por incertezas econômicas.
Ao longo de outubro, o indicador acumulou uma perda de 9,88%. O movimento marcou o retrocesso mensal mais expressivo registrado no mercado acionário desde junho de 2022.
Pressão fiscal e incertezas políticas
O pessimismo entre os investidores decorre da deterioração nas projeções dos juros futuros. A praça financeira aguarda sinalizações concretas sobre a condução fiscal do novo governo do presidente Lula.
A desmobilização de posições no mercado ocorreu após as eleições, desmontando expectativas anteriores de ajuste fiscal imediato e promovendo forte volatilidade nos ativos locais.
“O Ibovespa saiu de 186.340 pontos no fim de setembro, chegou a fechar acima de 209 mil e agora está em 167 mil pontos. A valorização inicial refletiu apostas em alternância de governo e ajuste fiscal. A reeleição de Lula provocou a desmontagem dessas posições, e as dúvidas sobre gastos e dívida prolongaram a pressão.”
Segundo Edgar Araújo, executivo da Azumi Investimentos, a revisão de expectativas atingiu com mais força as companhias dependentes do consumo interno e da oferta de crédito.
Destaques acionários e disparada do dólar
Apesar da pressão generalizada, a Magazine Luiza encabeçou as altas do pregão com avanço de 4,29%, cotada a R$ 5,35, mesmo diante da elevação das taxas futuras.
A gigante Vale também encerrou no campo positivo ao subir 3,28%, negociada a R$ 62,02. O movimento ocorreu na contramão da queda do minério de ferro no mercado chinês.
No câmbio, o dólar à vista subiu 1,05% e fechou cotado a R$ 5,4443. A moeda americana registrou avanço semanal de 9,04%, maior alta desde a crise de 2008.
Expectativas para os próximos passos
Após um mês marcado por fortes perdas, os agentes econômicos voltam suas atenções para o cenário fiscal e as definições da equipe econômica do governo federal.
O mercado também acompanhará de perto as futuras decisões do Copom sobre a taxa básica de juros e o andamento da temporada de balanços corporativos.











