O recente leilão de transmissão da ANEEL garantiu R$ 8,9 bilhões em investimentos para o setor elétrico. Com um deságio médio superior a 50%, o certame promete reduzir a conta de luz e fortalecer a infraestrutura para energias renováveis.
O setor de energia brasileiro deu um passo decisivo rumo ao fortalecimento da sua infraestrutura na última sexta-feira (30). Durante o Leilão de Transmissão nº 4/2026, realizado na B3, em São Paulo, o mercado demonstrou um apetite robusto, resultando em R$ 8,9 bilhões em novos aportes voltados à expansão e modernização da rede elétrica nacional.
A intensa disputa entre os players garantiu um deságio médio de 50,10% sobre a Receita Anual Permitida (RAP). Esse movimento reflete uma economia direta de R$ 818,9 milhões anuais para os consumidores, consolidando o certame como um marco de eficiência na busca por tarifas mais competitivas e pela necessária viabilização da transição energética.
Competitividade em prol do consumidor
A presidente executiva da Associação Brasileira das Empresas de Transmissão de Energia Elétrica (ABRATE), Talita Porto, destacou que o resultado é um atestado da eficácia dos leilões para o bem-estar social. Segundo a executiva, a infraestrutura é o motor do crescimento econômico e da estabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN).
“O resultado do leilão é uma prova que a competitividade do leilão traz um grande ganho para o consumidor. A transmissão é a infraestrutura que traz o crescimento da economia, a transição energética e a confiabilidade que o sistema interligado precisa”
Estrutura e expansão da rede
O certame contemplou oito lotes espalhados por sete estados brasileiros, prevendo a instalação de 1.866 km de novas linhas de transmissão. O projeto de maior envergadura, o Lote 4, foi arrematado pela Celeo Redes com um investimento de R$ 4,11 bilhões. A empresa, que se destacou como a maior vencedora em volume financeiro, terá a missão estratégica de conectar o Centro-Oeste ao Sudeste, garantindo o escoamento eficiente de energia.
Além da expansão, o leilão focou na resiliência do sistema com a contratação de quatro compensadores síncronos. Esses dispositivos, essenciais para a inércia e estabilidade da rede, são fundamentais para integrar o avanço de fontes renováveis, como a eólica e a solar, que possuem natureza intermitente.
Impacto econômico e futuro da matriz energética
A Neoenergia, a CYMI, a EDP e a COX Brasil completam o grupo de empresas vencedoras que firmaram contratos de 30 anos. Além do impacto financeiro, estima-se a geração de 20,3 mil empregos diretos, movimentando a economia local nas regiões contempladas.
Talita Porto reforça que os investimentos transcendem a simples expansão física:
“Investir em transmissão vai muito além de expandir a malha. Trata-se de modernizar continuamente o sistema. A incorporação de ativos como os compensadores síncronos confere a inércia e a estabilidade de que o Sistema Interligado precisa para integrar o avanço das fontes renováveis e preparar o país para a eletrificação da indústria e da mobilidade”
O resultado deste leilão reforça um ciclo histórico de expansão. Nos últimos anos, o segmento de transmissão de energia já acumulou mais de R$ 78,5 bilhões em investimentos. Com uma execução que demonstra alta disciplina — 88% das obras atuais estão dentro do prazo ou antecipadas —, o Brasil se prepara para o Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE 2035), que projeta uma rede de 230 mil km de linhas para assegurar o futuro energético do país.











