Inaugurada nos anos 30 e bombardeada durante a Revolução Constitucionalista, a histórica usina Henry Borden completa seu centenário operando como uma verdadeira bateria gigante para garantir a estabilidade do sistema elétrico brasileiro.
A icônica usina Henry Borden, localizada na imponente Serra do Mar, celebra seu centenário consolidada como um dos pilares mais importantes da energia limpa e da transição energética no Brasil.
Inaugurada na década de 1920, a hidrelétrica representou um marco revolucionário na engenharia global e ostentou por mais de 40 anos o título de maior e mais moderna usina do Hemisfério Sul.
A trajetória centenária da hidrelétrica atravessou conflitos armados, profundas transformações industriais e moldou a geografia do litoral de São Paulo.
Conectada ao SIN (Sistema Interligado Nacional), a obra aproveita um desnível impressionante de quase um quilometro para gerar eletricidade que abastece o país, utilizando um sistema de transporte íngreme conhecido como funicular.
A “Bateria” do Sistema Elétrico Nacional
Atualmente, a função da usina vai muito além da geração convencional.
Ela atua como uma bateria estratégica para o setor elétrico brasileiro.
Quando a demanda nacional dispara — especialmente no período noturno, quando a geração de energia solar é interrompida —, a Henry Borden entra em ação para suprir a carga rapidamente.
A gerência da Engie afirmou:
“Ao longo de um século, a Henry Borden acompanhou as transformações do setor elétrico e segue desempenhando um papel relevante para São Paulo e para o país. Ela combina história, relevância estratégica e capacidade de resposta às necessidades do Sistema Interligado Nacional”
Em apenas quinze minutos, o complexo consegue entregar sua capacidade máxima disponível.
Composta por uma estrutura subterrânea e outra externa, a usina é um testemunho da resiliência da engenharia nacional, tendo resistido até mesmo a um bombardeio durante a Revolução Constitucionalista de 1932, cujo projétil que atingiu a área das turbinas milagrosamente não explodiu.
Legado e Sustentabilidade
Embora tenha sido o motor do crescimento industrial e da modernização da capital paulista, a grandiosidade da obra trouxe um alto custo ambiental.
Para garantir o fluxo hídrico da Serra do Mar, o projeto exigiu a retificação do Rio Pinheiros e a construção da Represa Billings, alterações geográficas que ainda hoje impactam o escoamento urbano e geram desafios ecológicos.
Apesar dos impactos históricos, o complexo mantém viva a sua comunidade através da charmosa vila operária.
Famílias inteiras dedicaram gerações à operação da usina, perpetuando o conhecimento técnico e a paixão pela hidreletricidade.
Enquanto o Brasil avança na diversificação de sua matriz com fontes renováveis, a centenária usina Henry Borden prova que a inovação do passado ainda é indispensável para garantir a segurança energética do futuro, reafirmando o papel vital da infraestrutura sustentável na modernidade.
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