Com capacidade de gerar dez vezes mais energia do que consome, o Rio Grande do Norte busca atrair data centers e novos investimentos. Eventos em Natal debaterão o armazenamento de energia e a expansão da infraestrutura digital.
A impressionante capacidade de produção de energias renováveis no Rio Grande do Norte colocou o Estado em uma posição altamente estratégica no cenário econômico nacional. Gerando até dez vezes mais eletricidade do que o seu próprio consumo interno necessita, a região potiguar agora busca transformar essa superabundância em um forte motor para atração de investimentos voltados à transição energética, indústrias de alta intensidade tecnológica e grandes data centers.
Para impulsionar esse ecossistema e integrar a produção sustentável à demanda digital, a capital Natal será sede de dois grandes eventos do setor, promovidos pelo Grupo FRG Mídias & Eventos. Nos dias 21 e 22 de outubro, a sede da FIERN receberá a sétima edição do Energy Storage Brasil, focado nas tecnologias de armazenamento de energia. Na sequência, no dia 23, ocorrerá o Data Center Conference 2026, conectando a matriz elétrica potiguar às oportunidades do mercado de dados.
Vantagem competitiva e atração de novos mercados
Para a Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (FIERN), sob a liderança do presidente Roberto Serquiz, a farta oferta de energia limpa já configura uma vantagem competitiva concreta. O foco principal agora reside em garantir a necessária segurança jurídica e estruturar um ambiente de negócios favorável para que grandes consumidores se instalem no Estado, absorvendo o excedente e movimentando novas cadeias produtivas.
O presidente da FIERN, Roberto Serquiz, afirma:
Essa disponibilidade de energia, com capacidade de geração dez vezes maior do que o consumo, não é uma perspectiva a ser transformada em vantagem energética: ela já é uma vantagem. Agora nós entramos na fase de captar os consumidores de energia, dando mais segurança a eles nesse fator, gerando uma firme segurança jurídica.
Dentre os potenciais consumidores com grande apelo econômico estão os data centers. O Estado reúne dois fatores decisivos para atrair esses complexos: abundância na geração de energia renovável e proximidade geográfica com os pontos de ancoragem de cabos de fibra óptica de baixa latência no Nordeste. Para consolidar essa atração, o setor produtivo defende o avanço rápido em regulamentações específicas.
Roberto Serquiz reforça:
Certamente o Rio Grande do Norte é um dos melhores pontos para se instalar data center no Brasil. Temos abundância na geração do seu principal insumo, que é a energia, e estamos muito próximos da entrada das estruturas de comunicação que chegam pelo Nordeste.
Armazenamento de energia e combate ao curtailment
Apesar do elevado potencial de geração, o setor elétrico local enfrenta limitações de escoamento na rede, fenômeno conhecido como curtailment — o corte forçado da geração por falta de carga conectada. Segundo o presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio Grande do Norte (Crea-RN), o engenheiro eletricista Roberto Wagner, os sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS) são cruciais para reter o excesso produzido e injetá-lo na rede durante os momentos de pico.
Roberto Wagner explica:
Hoje nós temos muita energia, o Rio Grande do Norte sofre curtailment, que é o corte da geração por falta de cargas conectadas à geração. Há um descasamento entre a geração e as cargas.
A absorção dessa oferta por grandes infraestruturas digitais também exigirá um planejamento rigoroso de subestações, pontos de conexão e linhas de transmissão. Além disso, a expansão de tecnologias como baterias de grande porte, eletromobilidade e geração distribuída abrirá novas frentes de trabalho qualificado para a engenharia potiguar, demandando especialização em segurança, controle térmico e automação.
O presidente do Crea-RN destaca:
Não é só simplesmente aumentar o número de profissionais, será necessário ampliar e enaltecer a especialização. São nichos específicos que a gente precisa desenvolver. Neste mundo de transição energética, a gente tem muitas oportunidades do ponto de vista de BESS, eletromobilidade, geração distribuída e geração de renováveis.
Integração estratégica entre energia e infraestrutura digital
A união entre a produção sustentável e a demanda tecnológica representa o caminho ideal para transformar potencial energético em desenvolvimento socioeconômico. O diretor do Grupo FRG Mídias & Eventos, Tiago Fraga, pontua que a realização conjunta dos encontros em Natal visa justamente aproximar os atores da cadeia produtiva, do investimento e da tecnologia.
Tiago Fraga afirma:
Não basta o Rio Grande do Norte ser uma potência na geração renovável se parte dessa energia encontra limitações para chegar ao consumo. Armazenamento, expansão da rede e atração de grandes consumidores precisam avançar juntos. Ao reunir em Natal o Energy Storage Brasil e o Data Center Conference, queremos aproximar quem produz energia, quem desenvolve tecnologia, quem investe e quem pode transformar essa disponibilidade energética em novos negócios para o Estado.
Com debates que abrangem desde baterias de íon-lítio, sódio e hidrogênio até inteligência artificial e conectividade, os fóruns devem atrair cerca de mil especialistas e investidores. A consolidação do Rio Grande do Norte como um hub para data centers e tecnologias de armazenamento de energia posiciona o Estado na vanguarda da transição energética e da economia digital no Brasil.
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