Usina Henry Borden celebra um século de história como pilar de flexibilidade operativa e resposta rápida, assegurando estabilidade para a matriz de energia limpa do Brasil.
A engenharia nacional celebra um dos capítulos mais importantes de sua história com o centenário da Usina Henry Borden. Situada no sopé da Serra do Mar, em Cubatão (SP), a instalação consolidou-se ao longo de cem anos como um verdadeiro marco da industrialização paulista e um ativo indispensável para o setor elétrico brasileiro.
Inaugurada originalmente sob o nome de Usina de Cubatão, a estrutura foi projetada para vencer um impressionante desnível de cerca de 720 metros. Esse feito monumental permitiu sustentar o crescimento acelerado do principal polo industrial do país, transformando a paisagem econômica e tecnológica do estado de São Paulo nas décadas seguintes.
Hoje, sob a administração da Emae (Empresa Metropolitana de Águas e Energia), o complexo mantém protagonismo no Sistema Interligado Nacional (SIN). Composta por casas de força subterrânea e externa, a hidrelétrica opera com uma capacidade instalada total de 889 MW, dividida em 14 unidades geradoras dotadas de turbinas do tipo Pelton, ideais para grandes quedas d’água.
Resiliência e tecnologia para a transição energética
A relevância da usina no cenário energético atual vai muito além de sua tradição. Em um momento em que a matriz elétrica absorve volumes crescentes de fontes renováveis variáveis, como a solar e a eólica, a flexibilidade da Usina Henry Borden tornou-se um trunfo estratégico para a segurança da rede.
O complexo destaca-se pela capacidade de atingir sua potência máxima de 889 MW em um intervalo de apenas 15 minutos. Além disso, a instalação possui o recurso de partida autônoma, conhecido como black start, permitindo restabelecer o fornecimento de eletricidade sem depender de cargas externas em eventuais cenários de blecaute.
A diretoria da companhia gestora apontou:
A contínua modernização de nossos ativos garante não apenas a confiabilidade do sistema, mas reafirma o papel histórico desta infraestrutura na segurança energética nacional, combinando legado centenário e inovação tecnológica.
O legado do Projeto da Serra e novas atrações
As origens da usina remontam ao audacioso Projeto da Serra, concebido pelo engenheiro Asa White Kenney Billings na década de 1920 para a concessionária Light. A execução exigiu a criação de um complexo sistema hídrico, que incluiu a reversão do fluxo do Rio Pinheiros, a formação do Reservatório Billings e a construção de estruturas de bombeamento.
Para marcar o centenário, o local ganhou o Espaço Cultural Henry Borden. Criado em parceria com a Fundação Energia e Saneamento (FES), o ambiente museográfico interativo resgata a trajetória técnica e humana por trás da construção do complexo por meio de exposições, cartografia tátil e depoimentos de ex-trabalhadores.
Com investimentos contínuos em revitalização, a usina chega ao seu primeiro século pronta para continuar exercendo um papel de retaguarda essencial. Olhando para o futuro, o complexo reforça sua posição como um elo indispensável entre a tradição da engenharia hidráulica e os novos desafios da transição energética brasileira.
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