A gigante TotalEnergies reforça sua aposta no mercado brasileiro ao integrar projetos de data centers à operação da Casa dos Ventos, expandindo a infraestrutura de energia renovável na região Sul.
A estratégia de expansão da TotalEnergies no setor de energia limpa ganha contornos mais definidos com o avanço de novos projetos de data centers no Sul do Brasil. O anúncio foi feito pelo presidente da companhia, Patrick Pouyanné, durante sua participação na feira ROG.e, nesta segunda-feira (21).
A movimentação reflete a ambição da multinacional em consolidar sua posição como um player chave na oferta de energia para o crescente mercado de processamento de dados.
Desde 2022, a TotalEnergies atua como sócia estratégica da Casa dos Ventos e, atualmente, negocia a elevação de sua participação acionária na empresa brasileira de 34% para 49%.
O movimento de expansão vai além dos estados de São Paulo e Ceará, onde a companhia já possuía planos mapeados, mirando agora o potencial do Rio Grande do Sul, que recebeu autorização recente para a compra de 500 MW em capacidade eólica.
O salto na capacidade renovável
O crescimento do portfólio da Casa dos Ventos sob a parceria com o grupo francês é expressivo. Segundo Pouyanné, a capacidade operacional saltou de 1,5 GW em 2022 para 7,5 GW previstos até o fechamento deste ano.
O executivo destacou que a mudança no cenário de mercado foi radical: se antes o desafio era encontrar compradores para a energia produzida, hoje a demanda por fontes renováveis para abastecer centros de tecnologia é desenfreada.
“Há dois anos, nós estávamos lutando para encontrar clientes offtakers, para crescer, porque nós temos um enorme portfólio. Agora, no ano passado, nós conseguimos assinar mais de 1 GW de centros de dados, e nós vamos atrair mais”
Desafios logísticos e estratégicos
Apesar do otimismo, o setor ainda enfrenta entraves técnicos. Para o comando da TotalEnergies, a conexão energética entre as regiões Nordeste e Sul é o principal gargalo para sustentar o avanço dos data centers.
O investimento no território gaúcho, portanto, busca mitigar esses riscos logísticos e garantir que a infraestrutura acompanhe a demanda por inteligência artificial e capacidade de processamento.
Globalmente, a empresa planeja elevar sua geração de energia renovável de 60 TWh para mais de 100 TWh até 2030. Ao lado de Carlos Pascual, da S&P Global Energy, o debate na ROG.e reafirmou que o Brasil possui diferenciais competitivos únicos.
A combinação de abundância em fontes limpas, suporte do gás natural para estabilização de rede e capital humano qualificado coloca o país em uma posição de destaque na corrida global por infraestrutura digital sustentável.
















