A busca por um sistema elétrico mais eficiente e justo ganha novo capítulo com a proposta de uma tarifa horária para a geração distribuída. A ideia, defendida pela Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), visa otimizar o uso da rede e mitigar sobrecargas.
O setor de energia elétrica brasileiro está em constante debate sobre como equilibrar os custos e garantir a sustentabilidade do sistema. Uma das propostas mais recentes, vinda da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), sugere a implementação de uma tarifa horária para a energia gerada e consumida no modelo de geração distribuída (GD).
O objetivo principal é incentivar um uso mais inteligente da infraestrutura existente e aliviar a pressão sobre a rede. Ricardo Brandão, diretor de Regulação da Abradee, explicou a lógica por trás da sugestão.
Segundo ele, o padrão atual de injeção e retirada de energia pela GD muitas vezes não coincide com os momentos de maior necessidade para o sistema elétrico. A proposta visa justamente alinhar o comportamento dos consumidores com a dinâmica da rede, através de sinais de preço que reflitam o custo real da energia em diferentes horários.
Modernização tarifária em debate
A ideia central é uma modernização das tarifas, que passariam a diferenciar o valor da energia injetada ou retirada da rede conforme o horário. Ricardo Brandão destacou:
É necessário fazer uma modernização das tarifas para que tenha sinais horários e que tenha uma diferenciação entre o custo da energia injetada ou puxada da rede a depender do horário que isso aconteça.
Ele acredita que essa medida traria mais equidade na valoração do uso da rede pelos participantes da GD. A discussão ganhou corpo durante um workshop sobre eletrificação, reunindo especialistas para debater o impacto dos subsídios nas tarifas de energia.
Guilherme Zanetti, representante do Ministério de Minas e Energia (MME), corroborou a necessidade de sinais de preço claros e sem distorções para orientar as decisões dos consumidores. Paula Valenzuela, diretora técnica da PSR, acrescentou que, apesar da matriz energética renovável do Brasil, as tarifas de energia continuam elevadas.
Ela ressaltou que a rede elétrica demanda investimentos significativos, o que pode pressionar ainda mais os custos. Para Valenzuela, a otimização da infraestrutura atual, aliada a um planejamento mais centralizado e ao uso de tecnologias disponíveis, é fundamental.
Resiliência e competitividade em foco
A necessidade de redes de energia e geração mais resilientes frente a eventos climáticos extremos também foi um ponto levantado. A definição de quem arcará com os custos de adaptação e fortalecimento da infraestrutura é um desafio em aberto.
Zanetti, do MME, mencionou os entraves na expansão da rede, muitas vezes ligados à incerteza na concessão de grandes cargas. A Abradee projeta investimentos vultosos em melhorias na rede, na ordem de R$ 260 bilhões entre 2026 e 2030.
Contudo, a associação demonstra preocupação com o reflexo desses investimentos nas tarifas e na competitividade do país. Brandão alertou para o limite de capacidade de pagamento dos consumidores e o impacto das altas tarifas na competitividade da indústria nacional.
A adoção de uma tarifa horária para a GD é vista como um passo importante para construir um sistema elétrico mais robusto, justo e competitivo, alinhando os interesses de consumidores, distribuidores e do sistema como um todo.
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