A gigante russa Rosatom estuda trazer para o Brasil a tecnologia de usinas nucleares flutuantes, mirando o suprimento de energia para regiões isoladas da Amazônia e unidades de extração de petróleo em alto-mar.
A proposta de expandir o portfólio tecnológico da Rosatom no território brasileiro ganhou força durante o 51º Simpósio Anual da World Nuclear Association (WNA), ocorrido recentemente em Londres. A companhia russa enxerga nas usinas flutuantes uma solução estratégica para suprir a demanda contínua de energia em cenários onde a infraestrutura convencional de transmissão é inviável ou insuficiente.
Soluções para demandas complexas
Segundo Ruan Nunes de Souza, executivo do Centro Regional da Rosatom na América Latina, a tecnologia está sob análise técnica para diferentes aplicações no mercado brasileiro. A ideia é oferecer suporte energético robusto e estável para plantas de exploração e produção offshore, que exigem alta confiabilidade, e levar energia limpa a comunidades remotas na região amazônica, superando gargalos de conexão.
Desafios globais de capital
O evento em Londres, pautado pelo lema “Da ambição à ação”, reforçou que a transição energética nuclear demanda um aporte massivo de recursos. Especialistas alertam que o setor precisará atrair investimentos superiores a US$ 250 bilhões anuais até 2035 para viabilizar as metas de expansão da capacidade instalada ao redor do mundo.
Polina Lion, diretora de sustentabilidade do grupo, defendeu um esforço conjunto para destravar novos projetos:
“Quanto maior for o diálogo entre profissionais do setor nuclear, formuladores de políticas públicas, universidades, instituições financeiras e especialistas em clima, mais rapidamente encontraremos soluções práticas para triplicar a capacidade nuclear. No fim das contas, a experiência da Rosatom confirma um ponto claro: as ambições globais para a energia nuclear não podem ser alcançadas sem parceria, confiança mútua e diálogo aberto.”
O papel do BRICS na energia nuclear
O simpósio também destacou a relevância do bloco BRICS no atual xadrez geopolítico da energia. Com mais de 70% das usinas nucleares em construção situadas em países membros, a cooperação técnica entre as nações do grupo é vista como um motor para o desenvolvimento de programas locais.
Elsie Pule, coordenadora da Plataforma de Energia Nuclear do BRICS, ressaltou que a disparidade tecnológica entre os países do bloco funciona, na verdade, como um catalisador para intercâmbios industriais.
O Brasil, que atua na plataforma por meio da ABDAN e da NBEPar, busca integrar-se a essa dinâmica internacional de compartilhamento de conhecimento e tecnologias, visando consolidar o papel da energia nuclear em sua matriz de geração para as próximas décadas.
















