A Abrace propõe reduzir em R$ 109 bilhões os encargos anuais na conta de luz, buscando maior competitividade industrial e alívio financeiro para os consumidores brasileiros diante da crise energética.
A estrutura de custos do setor elétrico brasileiro atingiu um patamar crítico, levando a Abrace (Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres) a apresentar uma agenda estratégica aos candidatos à Presidência da República.
O plano visa eliminar R$ 109,1 bilhões em despesas anuais que oneram indevidamente a tarifa de energia, comprometendo o orçamento das famílias e a viabilidade produtiva da indústria nacional.
A entidade tem intensificado o diálogo com as principais candidaturas, incluindo representantes de Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão).
O foco central das discussões é interromper a trajetória de crescimento exponencial dos encargos, que dispararam 300% nas últimas uma década e meia, pressionando severamente o custo de vida no país.
Revisão estrutural e o peso da CDE
O principal entrave identificado pela associação é a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), que projeta gastos de R$ 52,7 bilhões para 2026.
A proposta sugere uma reformulação profunda no modelo de subsídios, transferindo encargos setoriais e políticas públicas que hoje compõem a fatura de energia para fontes alternativas, como o Fundo Social, alimentado pela exploração de petróleo.
Paulo Pedrosa, presidente da Abrace, afirma:
O custo elevado da energia drena a competitividade do produto brasileiro, encarecendo desde itens básicos de consumo, como a carne e o pão, até materiais fundamentais para a construção civil, o que exige medidas imediatas de desoneração tarifária.
Além da eletricidade: o mercado de gás
Sob o título “Energia, soberania e competitividade: uma escolha para o Brasil”, a pauta da associação estende suas exigências ao mercado de gás natural.
O objetivo é criar condições para que a indústria nacional tenha acesso a insumos a preços competitivos, essenciais para a retomada da produção interna e a redução da dependência de importações.
As sugestões incluem a implementação de metas rigorosas de reinjeção para novos campos de exploração, a realização de leilões específicos para o gás pertencente à União e a adoção do modelo de gas release.
Essas medidas visam aumentar a oferta disponível no mercado interno e estimular a concorrência entre os agentes econômicos.
O futuro das tarifas
Paralelamente à movimentação política, o debate sobre a sustentabilidade do setor elétrico ecoa no Congresso Nacional, onde tramita a chamada Lei de Responsabilidade Tarifária.
A iniciativa busca criar mecanismos de controle para frear a criação desenfreada de subsídios que se tornaram onipresentes na conta de luz nos últimos anos.
O cenário exige um ajuste de curso urgente.
A expectativa é que, independentemente do desfecho eleitoral, a pressão da Abrace e do setor produtivo force uma reestruturação regulatória capaz de garantir que o Brasil não apenas gere energia de forma sustentável, mas que essa mesma energia deixe de ser um obstáculo ao desenvolvimento econômico nacional.
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