O Ministério de Minas e Energia (MME) concedeu outorgas para 12 usinas térmicas, incluindo projetos da Arxen (ex-NFE) e Eneva, garantindo reforço crucial à segurança energética do país.
O Ministério de Minas e Energia (MME) deu um passo significativo para a segurança energética brasileira ao emitir as outorgas para 12 usinas térmicas. Esses empreendimentos foram vencedores do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap) realizado em março deste ano, um mecanismo vital para assegurar o suprimento de energia no sistema interligado nacional.
A medida representa um aporte robusto à infraestrutura energética, com projetos que somam bilhões em investimentos e contratos de longo prazo. A iniciativa reforça a estabilidade da matriz energética, garantindo a complementariedade à crescente participação das energias renováveis no país.
Projetos da Arxen: GNL Estratégico em Destaque
Dois dos projetos contemplados com as outorgas foram inicialmente propostos pela então New Fortress Energy (NFE), cujos ativos no Brasil agora são operados pela Arxen, empresa resultante de uma recente cisão.
Entre eles, destaca-se a UTE Lins 2, uma usina térmica de 732,7 MW de potência instalada. O projeto, com um investimento estimado em R$ 2,5 bilhões, assegurará uma receita fixa anual de R$ 1,5 bilhão por 15 anos, com início de suprimento em 2031. Sua operação será a gás natural liquefeito (GNL), fornecido pelo Terminal de GNL Gás Sul, que teve seu abastecimento garantido por acordo com a Âmbar.
Outro importante projeto da Arxen é a UTE Novo Tempo Barcarena II, da Centrais Elétricas Barcarena S.A. (Celba). Com 130,3 MW de capacidade, a usina representa um investimento de R$ 615,3 milhões e terá receita fixa de R$ 261,4 milhões anuais por 15 anos, iniciando em 2029. Será abastecida pelo Terminal de GNL de Barcarena, integrando um complexo que já inclui a UTE Portocém I e a UTE Novo Tempo Barcarena (Celba 2), fortalecendo a geração de energia na região.
A efetivação destas outorgas é um pilar para a segurança energética e o desenvolvimento regional, especialmente em áreas estratégicas como Barcarena. A capacidade de fornecer energia confiável e de longo prazo é fundamental para o crescimento econômico e para a resiliência do nosso sistema, afirmou um especialista do setor.
Eneva Expande com 2,4 GW de Potência
A Eneva, uma das principais empresas de energia do país, também teve quatro de seus empreendimentos agraciados com as outorgas do MME. Juntos, esses projetos somam uma significativa capacidade instalada de 2,4 GW.
A UTE Porto Norte Fluminense II B, com 291,3 MW de capacidade, demandará um investimento de R$ 835,7 milhões, com receita fixa anual de R$ 477,4 milhões a partir de 2031. Já a Jandaia 1, uma planta de 1,2 GW, projeta um investimento robusto de R$ 5,8 bilhões e uma receita fixa de R$ 996 milhões anuais, também com suprimento a partir de 2031.
Completando o conjunto da Eneva, as UTEs Presidente Kennedy e Presidente Kennedy I, cada uma com 441,6 MW de capacidade, preveem investimentos de R$ 1,8 bilhão cada e receita fixa anual de R$ 481,3 milhões por 15 anos, a partir de 2031.
Diversidade e Inovação entre os Outros Contratados
O MME também concedeu outorgas a outros seis projetos que reforçarão a oferta de energia a partir de 2028 e 2029.
A Delta Energia garantiu a UTE William Arjona II, de 80 MW, com investimento de R$ 276,5 milhões e receita fixa anual de R$ 115,6 milhões por 10 anos. A Karpowership (KPS) obteve a UTE Santana C, uma usina flutuante de 242,4 MW, com um investimento de R$ 72,5 milhões e receita fixa de R$ 566,4 milhões anuais.
Entre as demais, destacam-se a UTE São Mateus I, de 41,2 MW, fruto de um consórcio liderado pela BYK Participações SA, com investimento de R$ 200 milhões. A UTE Porto Norte Fluminense I D, da Engeko Engenharia e Construção, com 62,3 MW e investimento de R$ 178,8 milhões, também recebeu sinal verde.
Um ponto de inovação é a UTE Cocal Biometano PPT, da Cocal Energia, a única planta movida a biometano entre as outorgas. Com 5 MW de potência e investimento de R$ 48 milhões, o projeto demonstra o avanço rumo a fontes de energia sustentável. Por fim, a UTE Suape IV B, de 123 MW e investimento de R$ 724 milhões, obteve sua outorga para fornecimento a partir de 2029.
Impacto e Projeções para a Matriz Energética
A emissão destas outorgas pelo MME solidifica a estratégia do Brasil em fortalecer sua segurança energética e garantir a estabilidade do suprimento para as próximas décadas. Ao lado do crescimento das energias renováveis, as usinas térmicas a GNL e, notavelmente, a biometano, desempenham um papel crucial como capacidade de reserva e flexibilidade operacional.
Os volumosos investimentos e os contratos de longo prazo, que se estendem até 2031, reforçam o compromisso com uma matriz energética brasileira robusta e resiliente. Esse movimento estratégico é essencial para suportar o desenvolvimento econômico e social do país, assegurando um futuro energético mais sustentável e confiável.
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