A Abegás apresenta diretrizes estratégicas para presidenciáveis, focando na expansão da oferta de gás natural, desenvolvimento da Margem Equatorial e modernização da infraestrutura energética brasileira para os próximos 20 anos.
A Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás) lançou um material técnico com propostas de políticas públicas voltadas aos candidatos à Presidência da República. O objetivo central é transformar o cenário do mercado de gás, garantindo maior competitividade e aproveitamento dos recursos nacionais.
Segundo Marcelo Mendonça, diretor-executivo da entidade, o planejamento do setor deve transcender os mandatos de quatro anos, estabelecendo uma visão de longo prazo para as próximas duas décadas.
Embora o Brasil tenha alcançado recordes expressivos na produção de gás natural em 2025, a associação alerta para um gargalo crítico: apenas um terço do volume total extraído chega efetivamente ao consumidor final.
Esse descompasso impulsiona a necessidade urgente de novos investimentos em infraestrutura energética, incluindo redes de escoamento, unidades de processamento e expansão da malha de distribuição pelo território nacional.
O papel estratégico da Margem Equatorial
A exploração da Margem Equatorial é apontada como a nova fronteira capaz de impulsionar o setor. De acordo com a Abegás, o desenvolvimento dessa área exige que o poder público já inicie o planejamento logístico para integrar esse futuro suprimento à malha nacional.
A entidade defende a obrigatoriedade de construir infraestrutura de transporte já na fase inicial das novas plataformas, assegurando que o gás chegue aos centros de demanda do Sudeste e demais regiões do país.
“Quando a gente pensa no gás natural, como é um investimento estrutural, é um pensamento de longo prazo. Eu tenho que pensar para os próximos 4 anos, mas esse mandato tem que construir também a agenda para os próximos 20”
destacou Marcelo Mendonça.
Propostas para fomentar a concorrência e o uso eficiente
Além da expansão física, o documento sugere mudanças regulatórias para destravar o mercado. Entre as medidas estão o fortalecimento do acesso de terceiros aos gasodutos existentes e a implementação do gas release, mecanismo que visa reduzir a dominância de mercado por grandes players e estimular a queda dos preços do insumo para o setor industrial.
A entidade também propõe critérios técnicos rigorosos para limitar a reinjeção de gás, prática que atualmente consome mais da metade da produção diária.
Para elevar a segurança energética e impulsionar novos negócios, a Abegás sugere a integração do gás natural com a operação de data centers e o despacho estrutural de termelétricas.
Essas ações, segundo o setor, devem resultar em um efeito cascata positivo, gerando empregos e aumentando a arrecadação tributária tanto para a União quanto para os Estados.
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