Trabalhadores da Eletronuclear definem greve por tempo indeterminado a partir de setembro, mantendo contingente essencial para garantir a segurança das usinas de Angra 1 e Angra 2.
A partir da meia-noite da próxima terça-feira, 1º de setembro, os colaboradores da Eletronuclear iniciarão uma greve por tempo indeterminado. A decisão, tomada após impasses nas negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), coloca em alerta a operação das usinas termonucleares Angra 1 e Angra 2, fundamentais para a estabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN), com quase 2 GW de potência instalada.
O movimento paredista foi oficializado pelo Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Energia Elétrica nos Municípios de Parati e Angra dos Reis (STIEPAR). A categoria busca reabrir o diálogo com a presidência da estatal para evitar a caducidade das cláusulas vigentes, que deixaram de ser consensuais nas rodadas de negociação.
Segurança e Contingenciamento
Devido à natureza crítica das atividades, que envolvem protocolos rigorosos da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), o sindicato assegurou que a paralisação não comprometerá a integridade das instalações. Serviços vitais, como a operação da sala de controle e a segurança patrimonial dos complexos, serão mantidos através de turnos de 12 horas.
O diretor-presidente do STIEPAR, Cássio Lúcio Luiz Martins, reforçou que o objetivo do sindicato é pressionar por uma solução negociada, sem descuidar dos padrões exigidos para o setor.
A deliberação observou o compromisso com a segurança nuclear, a integridade da planta, dos trabalhadores e da população local, motivo pelo qual foram mantidos em serviço os profissionais estritamente necessários à preservação da segurança operacional da instalação.
Cenário de Impasse
Apesar da oficialização da greve por meio do ofício enviado à diretoria, as portas para novas tratativas permanecem abertas. O sindicato mantém a expectativa de que a administração da Eletronuclear apresente uma proposta formal que atenda aos pleitos da categoria antes da data limite para o início das atividades de protesto.
Até o momento, a gestão da companhia, liderada por Rafael Ehlers dos Santos, não se manifestou sobre o recebimento da notificação ou sobre a possível abertura de uma mesa de mediação de emergência. O setor de energia acompanha com cautela os desdobramentos, dado o papel estratégico da Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto (CNAAA) para o abastecimento elétrico do país.
















