A expansão global dos sistemas de armazenamento de energia em baterias dispara, com a China na liderança, enquanto o Brasil se prepara para um leilão decisivo ao setor.
O cenário mundial de energia limpa vive uma transformação acelerada, onde as baterias deixaram de ser uma promessa futurista para se tornarem o pilar de sustentação das redes elétricas modernas.
Com o avanço das fontes renováveis intermitentes, como a eólica e a solar, os sistemas de armazenamento, conhecidos pela sigla BESS, tornaram-se indispensáveis para garantir que a eletricidade esteja disponível quando o sol não brilha ou o vento não sopra.
Em 2025, o setor atingiu um marco histórico ao superar os 100 GW de capacidade instalada em um único ano.
Impulsionado por uma queda expressiva de mais de 90% nos custos tecnológicos desde 2010, o mercado global ganha tração com políticas públicas robustas e a necessidade premente de flexibilizar sistemas elétricos que buscam a descarbonização profunda.
A hegemonia chinesa e a corrida pelo armazenamento
A China consolidou sua liderança absoluta no setor, sendo responsável por mais da metade de todos os novos projetos globais.
Com uma capacidade instalada que já ultrapassa os 136 GW, o país asiático utiliza uma combinação de subsídios estatais agressivos e escala industrial para reduzir custos.
Em segundo lugar, os Estados Unidos avançam com força, impulsionados por incentivos federais e legislações locais rigorosas, como na Califórnia, que tornou obrigatória a presença de baterias em grandes edificações.
Outras regiões também mostram um apetite crescente.
A Austrália registrou um salto de nove vezes nas novas instalações em 2025, enquanto a Arábia Saudita lidera a expansão no Oriente Médio.
Até mesmo na América do Sul, o Chile desponta como um mercado emergente, evidenciando que a demanda por flexibilidade energética é uma tendência global incontornável.
O horizonte do mercado brasileiro
No Brasil, o otimismo domina o mercado com a aproximação de um leilão de armazenamento previsto para o final do ano.
O interesse é massivo: foram registrados 297 GW em projetos, um volume que supera toda a atual capacidade instalada do sistema elétrico nacional.
Contudo, o sucesso da tecnologia no país depende do amadurecimento das regras do setor.
Sobre o momento atual, Fabio Lima, diretor-executivo da Absae, ressalta:
Os maiores desafios ainda são regulatórios. O armazenamento no Brasil completou uma primeira fase que eu chamo de permissão. Mas a gente ainda não tem as bases de remuneração bem estabelecidas, não tem esse sinal econômico para o consumidor. O que realmente vai ditar o ritmo é como a regulação dá os sinais econômicos.
Além disso, a alta carga tributária — que pode chegar a quase 80% do custo final — ainda figura como um entrave que precisa ser superado para viabilizar a escala.
Com projeções da BloombergNEF indicando que as instalações anuais podem atingir 300 GW até 2036, a trajetória das baterias parece clara.
A transição energética global caminha para um futuro onde o armazenamento será a chave para conectar a abundância de fontes renováveis com a estabilidade necessária para atender à demanda de uma sociedade cada vez mais eletrificada.
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