A TBG busca autorização para expandir o Gasbol, um investimento de US$ 286 milhões. O projeto visa atender a nova demanda de energia térmica e otimizar o transporte de gás natural, especialmente do Terminal Gás Sul.
A Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil (TBG) submeteu à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) uma solicitação crucial para um projeto de expansão do Gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol). Com um aporte previsto de US$ 286 milhões, a iniciativa é fundamental para robustecer a infraestrutura de transporte de gás natural e suprir a crescente demanda por energia termelétrica, especialmente a gerada pelo Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap) de 2026. O destaque vai para a interconexão com o Terminal Gás Sul (TGS), operado pela J&F em Santa Catarina.
Batizado de Projeto Livre Alocação, o empreendimento planeja aprimorar a capacidade de escoamento e a entrega de gás para as usinas vencedoras do certame. A proposta da TBG reforça o compromisso com a segurança energética do país e a flexibilidade operacional do sistema de transporte de gás natural.
Detalhamento do Projeto e Seus Impactos
A TBG já completou a etapa de engenharia conceitual e avança para o desenvolvimento do projeto básico, que definirá o posicionamento final das instalações, o traçado e as características técnicas dos reforços na rede. A expectativa é que o projeto seja concluído e entre em operação até outubro de 2029, prazo alinhado às necessidades do LRCap 2026, mas que exige celeridade na aprovação pela ANP.
Superando Gargalos no Sul
O objetivo principal da TBG é aumentar a flexibilidade e a capacidade de movimentação do sistema, com foco no trecho sul do Gasbol.
Atualmente, o ponto de entrada em Garuva, que se conecta ao TGS, enfrenta restrições físicas para o escoamento de gás natural no sentido norte. Isso limita o aproveitamento dessa importante fonte de suprimento à demanda das regiões do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
A configuração existente impõe limitações de diâmetro, pressão operacional e perfil altimétrico, restringindo o fluxo para o norte a um teto de 6,8 milhões m³/dia.
Essa barreira compromete a utilização plena da capacidade de regaseificação do Terminal Gás Sul e reduz a flexibilidade para alocar o gás entre diferentes pontos de entrada e saída do sistema. Para solucionar esse entrave, o projeto prevê uma combinação estratégica de novos investimentos e otimização da infraestrutura já existente.
Novos Pontos de Entrega e Investimentos
Para atender às termelétricas do LRCap 2026, o projeto da TBG contempla a implantação de quatro novos pontos de entrega (citygates) em sua área de atuação.
Eles incluem Araucária (PR) para a UTE Araucária II, com previsão para 2028; Campo Grande (MS) e Garuva (SC) em 2029; e Lins (SP) em 2031. Os investimentos combinados para esses pontos são estimados em aproximadamente R$ 200 milhões.
Cenário Energético e Projeções Futuras
A relevância deste projeto da TBG ganha ainda mais destaque diante das mudanças no balanço entre oferta e demanda de gás natural. Há uma previsão de redução da oferta vinda da Bolívia e da produção associada à Rota 1 (UTGCA/Caraguatatuba).
Em contrapartida, aumenta a dependência do gás nacional escoado pelas Rotas 2 e 3 (Cabiúnas e Complexo Boa Ventura) e do GNL importado via Terminal Gás Sul (TGS).
Adicionalmente, a TBG aponta a necessidade de adequação dos sistemas de transporte da Nova Transportadora do Sudeste (NTS), que fazem parte do Plano Coordenado de Desenvolvimento do Sistema de Transporte de Gás Natural 2024-2033.
A Unidade de Tratamento de Gás Monteiro Lobato (UTGCA), em Caraguatatuba, é crucial para o escoamento do gás natural da Bacia de Santos. Os projetos da NTS, como a Estação de Compressão em Japeri e o Ponto de Recebimento de Raia em Macaé, são vitais para a expansão da oferta do gás natural do pré-sal.
O Declínio do Gás Boliviano e a Ascensão do Pré-Sal
A oferta de gás boliviano, que chegou a 34 milhões m³/dia em 2014, já se encontra em torno de 12 milhões m³/dia em 2025, com projeções indicando seu esgotamento após 2030.
Em contraste, o gás nacional do pré-sal tem visto sua participação na produção saltar de 39% em 2016 para 77% em 2024/2025. Esse gás é acessível ao sistema da TBG pela interconexão com a NTS em Paulínia (SP), e pela oferta de GNL regaseificado no TGS.
Este cenário complexo é somado ao resultado do LRCap, que adicionou uma demanda termelétrica significativa.
As dez usinas vencedoras do leilão na área de mercado da TBG devem gerar uma demanda adicional de aproximadamente 8 milhões m³/dia a partir de 2029, podendo chegar a 14 milhões m³/dia em 2031.
O balanço de movimentação projetado indica que, para atender o mercado térmico e não térmico e garantir a segurança energética na área de mercado da TBG, será necessária a utilização estimada de 15,3 MM m³/dia do TGS em 2031 – valor superior ao limite atual suportado pelo sistema. Sem a intervenção estrutural proposta, o balanço apresenta déficits entre 2028 e 2030, com risco concreto de não atendimento das novas cargas contratadas.
A TBG havia antecipado à ANP um crescimento expressivo no recebimento de gás pelo Ponto de Entrada Garuva, conectado ao TGS, projetando um aumento de zero em 2026 para até 10,1 milhões de m³/dia em 2028.
Isso sublinha a urgência e a importância estratégica do Projeto Livre Alocação para o futuro energético do Brasil.
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