O subproduto do biogás encontra seu valor em fertilizantes, abrindo novas avenidas econômicas e reduzindo a dependência de importações.
O setor de biogás e biometano no Brasil está traçando um novo rumo estratégico, visando transformar um resíduo em um produto de alto valor: fertilizantes. A iniciativa, capitaneada pela ABiogás (Associação Brasileira do Biogás e do Biometano), busca criar uma nova frente de demanda para a energia renovável e, ao mesmo tempo, diminuir a vulnerabilidade do país frente aos insumos agrícolas importados.
A aposta está no digestato, um subproduto líquido da biodigestão que, embora rico em nutrientes essenciais como nitrogênio, fósforo e potássio, tem sido historicamente subaproveitado. A ideia é que este composto se torne um componente chave na produção de fertilizantes, seja como insumo direto ou como matéria-prima para formulações mais complexas, inclusive aquelas que substituem o gás fóssil na fabricação de fertilizantes nitrogenados.
Essa nova fronteira econômica foi um dos temas centrais do 13º Fórum do Biogás. Especialistas e representantes da indústria destacam que o aproveitamento do digestato representa um círculo virtuoso, pois além de agregar valor à cadeia produtiva do biogás, contribui para a redução do uso de fertilizantes químicos e alivia a balança comercial brasileira. Atualmente, o Brasil é altamente dependente da importação desses insumos, o que o expõe a flutuações de preço e instabilidades geopolíticas.
Startups e centros de inovação já estão explorando esse potencial. O CIBiogás, por exemplo, tem desenvolvido pesquisas para a valorização do digestato como fertilizante, visando aumentar a competitividade do setor. A visão é clara: transformar um passivo ambiental em um ativo econômico, alinhado às demandas por uma agricultura mais sustentável e resiliente.
Embora o biogás e o biometano já tenham conquistado avanços importantes, como a inclusão na Lei do Combustível do Futuro, o potencial dos biofertilizantes ainda era um campo a ser explorado. A indústria agora busca sensibilizar o poder público sobre a relevância dessa cadeia produtiva. Em um cenário global de volatilidade e escassez de insumos, a produção nacional de fertilizantes a partir de fontes renováveis como o biogás surge como uma estratégia promissora para garantir a segurança alimentar e impulsionar a economia verde no país.
A discussão ganha ainda mais relevância diante da aprovação, pelo Senado, do Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert). Embora o programa contemple bioinsumos e biofertilizantes, o setor de biogás defende que a regulamentação futura incorpore de forma mais explícita as rotas de aproveitamento do digestato, consolidando o biogás como um ator fundamental na produção de fertilizantes no Brasil.






















