Avanço digital e eletrificação demandam mais energia, colocando segurança do suprimento em pauta no setor elétrico.
O crescente consumo de eletricidade, impulsionado pela digitalização, expansão de data centers e a eletrificação de processos industriais, tem colocado a segurança e a confiabilidade do fornecimento de energia no centro das discussões estratégicas do setor elétrico brasileiro. Diante desse cenário, o Fórum das Associações do Setor Elétrico (FASE) apresentou aos presidenciáveis sua Agenda 2027-2030, propondo uma nova abordagem para o planejamento energético nacional.
A iniciativa defende um rompimento com o modelo focado apenas na ampliação da capacidade instalada, migrando para uma lógica de valoração dos atributos essenciais que cada fonte de geração entrega ao Sistema Interligado Nacional (SIN). Serviços como fornecimento de potência, resiliência diante de falhas e flexibilidade para atender às flutuações de demanda e oferta ganham protagonismo.
Nuclear: um pilar para a segurança energética
Embora a Agenda FASE não aponte tecnologias específicas, especialistas e representantes do setor avaliam que a proposta de valorização de atributos pode impulsionar a participação da energia nuclear na matriz elétrica. A tecnologia nuclear é vista como um diferencial para garantir a geração de base contínua e previsível, essencial para a estabilidade do SIN.
O presidente da Associação Brasileira para Desenvolvimento das Atividades Nucleares (ABDAN), Celso Cunha, ressalta o alinhamento da energia nuclear com os requisitos de confiabilidade do sistema. “A energia nuclear é uma fonte capaz de fornecer energia firme, potência disponível de forma contínua e elevada previsibilidade operacional”, afirma.
Complementaridade e Neutralidade Tecnológica
A transição energética brasileira enfrenta o desafio de suprir a demanda crescente por energia para novos vetores, como a produção de hidrogênio verde e o processamento de dados para inteligência artificial, sem comprometer a estabilidade do sistema. O avanço das fontes eólica e solar, intrinsecamente intermitentes, eleva a necessidade de fontes despacháveis e com alta disponibilidade.
Celso Cunha enfatiza que o foco não deve ser a escolha de uma fonte em detrimento de outra, mas sim a construção de uma complementaridade estratégica entre as diversas tecnologias de geração. A adoção da neutralidade tecnológica em leilões e contratações de segurança energética, onde custos e benefícios são alocados de acordo com o serviço prestado à rede, abre espaço para que fontes de baixa emissão de carbono com alto fator de capacidade, como a nuclear, possam competir pela oferta de potência.
Essa tendência de reconhecer a importância de fontes de base confiáveis para a segurança do suprimento em redes cada vez mais renováveis acompanha movimentos globais. Diversos países têm ampliado seus programas nucleares como estratégia para garantir a energia de infraestruturas críticas.
A discussão sobre a aplicação prática da neutralidade tecnológica e a inserção da geração nuclear nos mecanismos de mercado ganhará destaque no evento Nuclear Communication 2026, que ocorrerá no Rio de Janeiro em 18 de agosto. Celso Cunha reforça a urgência dessas definições, pois as decisões tomadas hoje impactarão o futuro energético do Brasil por décadas, e a energia nuclear se apresenta como um ativo valioso para assegurar segurança, competitividade e desenvolvimento sustentável.























