Uma pesquisa recente revela que a maioria dos brasileiros deseja liberdade para escolher seu fornecedor de eletricidade, embora o desconhecimento sobre as futuras regras do mercado residencial ainda seja um entrave.
O setor de energia elétrica no Brasil caminha para uma transformação histórica com a abertura do Mercado Livre de Energia para consumidores residenciais, prevista para 2028. No entanto, um levantamento conduzido pela Bow-e, braço de geração distribuída do Grupo Bolt, aponta que o entusiasmo do público ainda não está acompanhado de informações claras sobre como o sistema funcionará na prática.
Segundo o estudo, que ouviu 201 pessoas em diversas regiões, cerca de 72,6% dos brasileiros demonstraram interesse em migrar para um modelo onde a escolha do fornecedor seja possível. Apesar desse alto índice de aceitação, 60% dos entrevistados admitiram que não sabem que essa flexibilidade estará disponível em breve para o segmento residencial.
Desafios na democratização do acesso
A pesquisa evidencia um descompasso entre a expectativa do usuário e o nível de instrução sobre o setor elétrico. Ainda existe uma crença consolidada de que a gestão do fornecimento de energia é uma exclusividade restrita a grandes indústrias e empresas de grande porte.
Cerca de 38% dos participantes acreditam que não podem escolher a comercializadora, enquanto apenas 20% estão cientes de que o mercado livre já opera para perfis específicos no país. Além disso, muitos comparam o setor a outros serviços utilitários; cerca de 43% dos entrevistados ainda veem a troca de fornecedor de energia como uma possibilidade distante, comparando-a com a facilidade de mudar operadoras de telefonia ou internet.
Para Ciro Neto, CEO da Bow-e, o foco das empresas e dos órgãos reguladores deve mudar de direção: “Os dados mostram que existe uma demanda espontânea por liberdade de escolha antes mesmo de o consumidor conhecer a mudança regulatória. Isso significa que o desafio do setor não será despertar interesse, mas ampliar o acesso à informação para que as pessoas entendam como o mercado funciona e a partir disso, tomar decisões conscientes quando a abertura ocorrer.”
A economia como principal motivador
Quando questionados sobre o que seria determinante para a troca de contrato, o fator financeiro ocupou o topo da lista. Para 67,4% dos pesquisados, a redução nas tarifas é o argumento principal para buscar uma nova companhia. Outros fatores, como a qualidade no suporte técnico (11,6%), a utilização de matrizes renováveis (7,4%) e programas de fidelidade (7,4%), aparecem em um patamar secundário.
O executivo da Bow-e ressalta que, embora o preço seja o catalisador inicial, a maturidade do setor forçará uma competição focada na experiência do cliente. “O preço naturalmente será a porta de entrada para a competição. Mas, conforme o mercado amadurece, fatores como qualidade do atendimento, transparência e serviços agregados passam a ser determinantes para fidelizar esse consumidor no ambiente livre.”
Com a abertura do mercado prevista para 2028, o setor enfrenta a missão de não apenas estruturar a rede e a regulação, mas também de realizar um trabalho educativo intenso. O objetivo é que o consumidor possa transitar entre fornecedores com segurança, entendendo as nuances dos contratos e garantindo que a promessa de liberdade de escolha se traduza em eficiência e economia real.























