A Auren Energia demonstra resiliência financeira e defende novas regras para lidar com a sobreoferta no setor elétrico.
A Auren Energia alcançou um resultado expressivo na primeira metade de 2026, com os mecanismos de modulação de sua geração de energia compensando 91% do impacto financeiro causado pelo curtailment. O curtailment, que se refere a cortes na geração de usinas por restrições operacionais ou de rede, representa um desafio significativo para o setor de energia renovável. Diante desse cenário, a empresa também reforça a necessidade de uma atualização na regulamentação para tratar de cortes decorrentes da sobreoferta energética.
A estratégia da Auren envolve a adesão a um termo de compromisso que visa a compensação de cortes ocorridos entre setembro de 2023 e novembro de 2025. Estimativas indicam que a companhia pode receber aproximadamente R$ 300 milhões através deste acordo. O CEO da Auren, Fábio Zanfelice, detalhou esses planos durante a teleconferência de resultados do segundo trimestre, ressaltando que a declaração de intenção para a assinatura do termo deve ocorrer até 10 de agosto.
Modulação como Pilar Estratégico
O mecanismo de modulação de geração, fundamental para os resultados positivos da Auren, baseia-se na otimização da combinação entre o perfil de geração de seus ativos, as posições de mercado e as oscilações diárias do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD). Essa abordagem permitiu que a empresa mitigasse significativamente as perdas financeiras.
No primeiro semestre de 2026, os ganhos com modulação totalizaram R$ 167,7 milhões, antecipando as perdas de R$ 184 milhões decorrentes dos cortes. O impacto líquido negativo registrado foi de R$ 16,3 milhões, evidenciando a eficácia da diversificação do portfólio da Auren, especialmente com as fontes hidrelétrica e eólica.
A disparidade crescente entre os preços de energia em horários de pico e de baixa demanda em 2026 amplificou os benefícios da modulação. Essa diferença de preços, que chegou a 220% em alguns períodos, também contribuiu para reduzir o custo da energia que a Auren precisou adquirir para cobrir as posições afetadas pelas restrições.
Defesa por Novas Regras para a Sobreferta
Um ponto central na estratégia da Auren é a defesa por uma nova regulamentação para os cortes de geração motivados pela sobreoferta energética. Atualmente, o mecanismo de compensação, estabelecido pela Portaria 140/2026 do Ministério de Minas e Energia (MME), abrange apenas cortes por questões de confiabilidade ou indisponibilidade externa.
Para Fábio Zanfelice, essa discussão sobre a sobreoferta deve ser ampliada para o Congresso Nacional, incluindo a participação da micro e minigeração distribuída (MMG). A expectativa é que o tema seja retomado em 2027, após o período eleitoral. A Auren defende que todos os agentes que contribuem para o curtailment, e não apenas a geração centralizada, devem compartilhar os custos associados.
Aumento das Restrições e Cenário Financeiro
O segundo trimestre de 2026 também testemunhou um aumento nas restrições de geração no Sistema Interligado Nacional (SIN). As usinas eólicas tiveram 15,7% de sua geração potencial cortada, e as solares, 25,8%. Esses percentuais representam um avanço em relação ao mesmo período de 2025.
No portfólio da Auren, o impacto financeiro dos cortes concentrou-se nas usinas eólicas. Apesar do aumento das restrições, a empresa registrou uma redução no prejuízo líquido, passando de R$ 562,9 milhões no segundo trimestre de 2025 para R$ 379,1 milhões no mesmo período de 2026. Essa melhora foi influenciada pela menor geração eólica e pelo resultado mais robusto da atividade de comercialização, além dos ganhos com modulação. A receita líquida apresentou um crescimento de 5,9% na comparação anual.
A companhia também abordou seu endividamento, que, apesar de um leve aumento na alavancagem, segue em linha com o planejamento de desalavancagem, com projeção de estabilização em 2026 e queda a partir de 2027.























