Direita fluminense enfrenta impasse e indefinições na corrida eleitoral pelas vagas ao Senado, enquanto o campo da esquerda se mostra mais consolidado nas pesquisas de intenção de voto.
A menos de duas semanas do encerramento do período de convenções partidárias, previsto para o próximo dia 5 de agosto, o cenário eleitoral para o Senado Federal no Rio de Janeiro permanece em ebulição. Em um reduto historicamente estratégico para o ex-presidente Jair Bolsonaro, as forças da direita encontram dificuldades para organizar suas chapas, refletindo um quadro de fragmentação e baixas recentes.
O Partido Liberal (PL), após enfrentar dilemas internos que cogitaram até mesmo uma chapa pura, definiu a recondução do senador Carlos Portinho ao pleito. A oficialização da candidatura ocorre nesta sexta-feira (24), em ato na capital fluminense. Contudo, a composição para a segunda cadeira em disputa segue envolta em incertezas, aguardando definições de alianças em torno da pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.
Impacto de operações policiais na articulação
O planejamento eleitoral da direita sofreu abalos significativos após o surgimento de problemas judiciais envolvendo aliados estratégicos. A parceria de Flávio Bolsonaro com o ex-prefeito de Belford Roxo, Marcelo Canella (União Brasil), foi inviabilizada após investigações da Polícia Federal na Operação Unha e Carne. O caso apura movimentações milionárias suspeitas no setor de combustíveis.
Somou-se a este cenário a desistência do ex-governador Cláudio Castro (PL), que também se tornou alvo de apurações da PF sobre supostas irregularidades na Rio Previdência.
Citações e movimentações internas
A turbulência gerou desgastes na base bolsonarista, forçando lideranças a aparar arestas. O deputado Carlos Jordy, que pleiteava a vaga, retirou sua pré-candidatura a pedido da cúpula do partido, focando agora na renovação de seu mandato na Câmara dos Deputados.
“Acima de qualquer coisa, nós temos que deixar vaidade, egos, orgulhos, projetos pessoais de lado em prol do projeto de resgate da nação com o Flávio Bolsonaro”, declarou o parlamentar nas redes sociais.
Crivella no páreo e o contraste com a oposição
Outro nome que movimenta a direita é o do deputado federal Marcelo Crivella (Republicanos). Mesmo tendo enfrentado decisões de inelegibilidade, ele obteve uma liminar do ministro André Mendonça, do TSE, que garante sua participação no pleito. O ex-prefeito figura bem em levantamentos recentes, podendo contar com o apoio de Anthony Garotinho.
Enquanto a direita tenta se reorganizar, a esquerda exibe maior coesão. A ex-governadora Benedita da Silva (PT) lidera a corrida ao Senado, seguida de perto por nomes como Pedro Paulo (PSD) e o próprio Crivella. O desenho final das candidaturas deve ser consolidado apenas nas convenções decisivas de agosto, enquanto novos dados de pesquisas eleitorais, registrados no TSE, são aguardados pelo mercado e pelos analistas políticos.





















