O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) projeta um déficit de potência elétrica a partir de 2027, alertando para a necessidade urgente de leilões anuais de capacidade para garantir a segurança energética do Brasil.
O Brasil se encontra diante de um cenário desafiador para a sua segurança energética. Projeções recentes do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), divulgadas no Plano da Operação Energética (PEN 2026-2030), indicam um risco iminente de déficit de potência elétrica a partir de 2027. Este alerta acende uma luz vermelha para o futuro do setor elétrico nacional, ressaltando a urgência de medidas preventivas para assegurar o abastecimento contínuo e confiável de energia.
A principal preocupação reside na insuficiência da capacidade instalada para atender aos picos de consumo, especialmente em momentos de maior demanda combinados com menor produção das fontes renováveis. Para mitigar esse risco, o ONS recomenda a realização de leilões anuais de capacidade, estratégias cruciais para a expansão e estabilização da infraestrutura elétrica do país e a manutenção de uma matriz elétrica robusta.
Projeções do ONS e o Risco de Desabastecimento
O PEN 2026-2030 detalha que o atendimento energético geral estará em conformidade com os parâmetros regulatórios. No entanto, o problema se concentra na oferta de potência, um recurso vital para lidar com as flutuações e picos no consumo de energia elétrica. As análises apontam que, mesmo com os contratos firmados no Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap) de 2026, o volume de potência disponível pode ser insuficiente já no próximo ano, persistindo essa vulnerabilidade até 2030.
Os períodos mais críticos, onde o risco de desabastecimento se torna mais acentuado, são os finais de tarde e inícios de noite. Nesses horários, a demanda de energia atinge seu ápice, enquanto a geração de energia de fontes intermitentes, como energia eólica e energia solar, diminui drasticamente. Essa combinação exige uma retaguarda de potência que o sistema atual pode não conseguir prover, comprometendo a estabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN).
“Sob o aspecto do atendimento de potência, atenção para o esgotamento do limite de intercâmbio em momentos críticos, no limite, podendo levar ao não atendimento de ponta caso haja uma combinação de demanda muito elevada e baixa geração eólica”, afirma o documento do PEN.
A Insuficiência do LRCap 2026 e Desafios Futuros
O LRCap de 2026, que resultou na contratação de quase 20 GW através de 100 novos empreendimentos, majoritariamente termelétricas, foi um passo importante para reforçar a segurança energética. Contudo, o ONS reitera que essa expansão não será o bastante para cobrir a crescente demanda de energia do país em cenários de alto consumo. A necessidade de planejamento energético de longo prazo e a implementação contínua de mecanismos de contratação são fundamentais.
Além das projeções de déficit, o setor elétrico brasileiro enfrenta incertezas regulatórias e judiciais. O LRCap 2026 é alvo de contestações na Justiça Federal e no Tribunal de Contas da União (TCU). A eventual anulação dos contratos ou o atraso na entrada em operação das usinas vencedoras representam um risco ainda maior para o suprimento de energia. O ONS prevê que a retirada dessas usinas poderia gerar violações de suprimento em todos os subsistemas do país a partir de 2028.
Em um cenário de atrasos na construção e operação, o déficit de potência poderia chegar a 3,6 GW em outubro de 2028 e 1,9 GW a partir de agosto de 2029. Essas estimativas são baseadas em um histórico de leilões, que revela que apenas uma pequena parcela dos empreendimentos entra em operação no prazo, enquanto a maioria sofre atrasos ou, em alguns casos, nem sequer se concretiza. Essa dependência de termelétricas para a garantia de potência em momentos críticos destaca a complexidade da transição para uma matriz elétrica cada vez mais limpa e sustentável.
Caminhos para a Segurança Energética Sustentável
O alerta do ONS sublinha a necessidade imperativa de um planejamento energético estratégico e ágil. A recomendação de leilões anuais de capacidade é uma resposta direta a essa demanda, visando a contratação contínua de recursos capazes de oferecer a potência necessária para o equilíbrio do Sistema Interligado Nacional. Garantir a segurança do sistema elétrico significa não apenas investir em novas fontes, mas também em mecanismos que compensem a intermitência das energias renováveis e assegurem o atendimento nos horários de pico.
Para o futuro da energia limpa e sustentável no Brasil, a superação desses desafios envolve um compromisso com o avanço da infraestrutura elétrica e a diversificação da matriz energética. A resiliência do setor elétrico frente ao crescimento da demanda e à transição para fontes mais verdes dependerá diretamente da capacidade do país de antecipar e mitigar os riscos, garantindo que o abastecimento de energia não seja comprometido e que o risco de apagão seja efetivamente afastado nos próximos anos.






















