O furto de energia, conhecido como “gato”, impõe prejuízos bilionários ao setor elétrico e eleva o preço da conta de luz para todos os consumidores brasileiros.
A crise das perdas não técnicas no sistema de distribuição de energia elétrica atingiu patamares críticos. Segundo dados recentes, as fraudes e desvios de eletricidade acumulam um prejuízo da ordem de R$ 10 bilhões anuais. Esse cenário reflete diretamente no bolso do cidadão, uma vez que o rombo é, em grande parte, repassado para as tarifas cobradas mensalmente.
A presidente da Abradee (Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica), Patrícia Audi, destacou que o custo da energia desviada é diluído entre os consumidores que mantêm suas contas em dia. Na prática, isso representa um aumento de quase 3% nos valores das faturas, transformando o furto de energia em um desafio estrutural que compromete a eficiência do mercado energético nacional.
O impacto financeiro e a regulação da Aneel
A dinâmica das perdas não técnicas é complexa. Quando a energia é furtada, ela ainda precisa ser gerada e transmitida, gerando custos operacionais para as empresas. A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) reconhece boa parte dessa perda, permitindo que ela seja incorporada às tarifas de energia. Entretanto, as concessionárias também arcam com uma parcela desse prejuízo que não é coberta pelo regulador.
“Como a energia desviada continua sendo comprada e entregue pelas empresas, mas não é paga pelos responsáveis pelo consumo irregular, o custo acaba sendo rateado entre os demais consumidores.”
Esse modelo de repartição de prejuízos gera desequilíbrios, pois penaliza o consumidor regular. Para o setor, combater o furto não é apenas uma questão de recuperar receita, mas de garantir a sustentabilidade econômica do serviço público de energia elétrica.
Instabilidade no fornecimento e áreas críticas
Além do impacto financeiro, o gato de energia coloca em risco a estabilidade do sistema de distribuição. Ligações clandestinas sobrecarregam a rede, provocando quedas constantes e falhas no serviço. No último ano, quase 620 mil episódios de interrupção foram mapeados como decorrência direta de conexões irregulares, prejudicando mais de 2 milhões de pessoas.
Algumas regiões do país sofrem com um cenário de descontrole. O estado do Amazonas é atualmente o mais impactado por essas perdas. No Rio de Janeiro, a situação é igualmente alarmante: na área de concessão da Light, o índice de perdas não técnicas chegou a atingir 70,7% do mercado de baixa tensão residencial em 2025.
O combate a essa prática exige esforços conjuntos de fiscalização e modernização das redes. Enquanto a regulação e o monitoramento não se mostrarem suficientes para estancar o problema, a conta de luz continuará sofrendo o peso das perdas não técnicas, mantendo o setor em alerta máximo sobre a necessidade de coibir desvios e garantir a equidade na distribuição.






















