A Axia Energia avança na integração de tecnologia solar de alta concentração com infraestrutura de data centers, mirando eficiência térmica e capacidade de despacho de energia de longa duração.
A Axia Energia deu um passo estratégico ao aprovar um investimento de R$ 20 milhões para conectar sua usina heliotérmica — baseada em torre central de alta concentração (HCPV) — a uma unidade de processamento de dados em Petrolina, Pernambuco. O projeto, pioneiro ao utilizar a tecnologia da startup australiana RayGen no Brasil, busca transformar o calor excedente da geração solar em um recurso de climatização para infraestruturas digitais de alta demanda.
Sinergia entre Geração Solar e Refrigeração Digital
A tecnologia HCPV opera concentrando a luz do sol por meio de espelhos em um receptor no topo de uma torre, alcançando níveis de eficiência que superam a fotovoltaica tradicional. Além da eletricidade, o sistema recupera energia térmica. A inovação reside no uso de um “chiller de absorção”, que converte esse calor em água gelada para resfriar servidores.
Conforme explica Juliano Dantas, vice-presidente de Inovação da Axia Energia, a proposta ataca um dos maiores custos operacionais de centros de dados voltados à inteligência artificial e processamento em nuvem: a refrigeração. “A combinação entre uma usina solar concentrada e um data center cria um ambiente altamente sinérgico”, destaca o executivo sobre a redução no indicador de eficiência energética PUE.
Disputa com Baterias e Termelétricas
Diferente das baterias químicas (BESS), que costumam oferecer autonomia de poucas horas, a solução da Axia consegue armazenar energia térmica por até três dias e realizar despachos contínuos por 17 horas. Essa flexibilidade coloca a tecnologia em uma posição competitiva frente a usinas termelétricas tradicionais.
“Nós vamos instalar o projeto de data center junto com baterias também para ter controle do despacho e entender melhor a operação do centro de dados. No momento, podemos injetar toda a energia na rede e operar como uma planta fotovoltaica convencional”, afirma Ricardo Vilaça, gerente de inovação da companhia. A planta piloto, que conta com aporte da Aneel via programas de P&D, atingiu uma eficiência total próxima a 90% em testes.
Expansão e Pesquisa em Microrredes
O portfólio de inovação da empresa não se limita a Petrolina. No Complexo Eólico Casa Nova, na Bahia, a Axia desenvolve a “Planta Híbrida Inteligente”, que integra eólica, solar, armazenamento em baterias e um data center voltado à mineração de criptoativos. O projeto foca em mitigar o curtailment — o corte na transmissão de energia — aproveitando a carga flexível do data center para otimizar o sistema.
Adicionalmente, a companhia mantém uma planta solar flutuante no reservatório de Sobradinho, que serve como laboratório para tecnologias de internet das coisas (IoT) e integração inteligente à rede. A expectativa é que o avanço regulatório no setor elétrico brasileiro, que deve passar a valorizar atributos como inércia e despacho sob demanda, torne essas soluções de longa duração cada vez mais essenciais para a segurança e estabilidade do sistema nacional.























