Axia integra usina solar heliotérmica a data center em Pernambuco

Axia integra usina solar heliotérmica a data center em Pernambuco
Axia integra usina solar heliotérmica a data center em Pernambuco - Foto: Reprodução / Freepik | Pixbay
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Axia aposta em energia solar para data centers com tecnologia de ponta e até 17 horas de despacho.

A Axia Energia deu um passo ousado na busca por soluções energéticas sustentáveis e de alta performance ao aprovar um projeto inovador que visa integrar sua usina heliotérmica a um data center. O investimento de aproximadamente R$ 20 milhões em Petrolina, Pernambuco, marca um ponto de virada na utilização da energia solar, explorando seu potencial para suprir a demanda energética de centros de processamento de dados.

A tecnologia empregada, conhecida como alta concentração de energia solar (HCPV), utiliza espelhos para direcionar a luz do sol para uma torre central, elevando a eficiência da conversão em energia elétrica e térmica. Esta planta piloto, que adota a tecnologia pioneira da startup australiana RayGen, é a segunda do gênero no mundo e busca demonstrar a viabilidade de integrar a geração solar híbrida com as exigências operacionais de um data center.

O projeto não se limita a fornecer energia limpa. A intenção é também otimizar o complexo sistema de refrigeração necessário para manter os equipamentos de processamento de dados em temperaturas ideais. A energia térmica gerada pela usina pode ser convertida em frio, reduzindo a necessidade de sistemas de climatização convencionais, que representam uma parcela significativa do consumo energético de um data center.

Inovação com suporte de Pesquisa e Desenvolvimento

A iniciativa da Axia Energia já contou com um robusto aporte financeiro, totalizando mais de R$ 74 milhões em investimentos. Deste montante, uma parte expressiva, R$ 67,9 milhões, provém do Programa de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P&D) da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), demonstrando o compromisso com a inovação e o avanço tecnológico no setor. A contrapartida da empresa, de R$ 6,85 milhões, reforça a aposta em soluções de energia renovável.

A planta em questão possui uma capacidade instalada de 1 MW de geração elétrica e recupera 2,2 MW de energia térmica. Ao ser conectada a um data center, o calor excedente da geração solar será direcionado para um sistema de *chiller* de absorção. Este equipamento transforma o calor em água gelada, essencial para a climatização de ambientes que abrigam servidores de alta densidade, como os utilizados em inteligência artificial e computação em nuvem.

Juliano Dantas, vice-presidente de Inovação da Axia Energia, ressalta a sinergia entre as tecnologias. “A refrigeração é um dos maiores gargalos energéticos dos data centers. Integrar nossa usina solar concentrada a essa necessidade cria um ciclo virtuoso, diminuindo o consumo total e a pegada de carbono”, afirma. Ele destaca que a busca por um menor PUE (Power Usage Effectiveness), métrica crucial para a eficiência energética de data centers, é um dos motores para o desenvolvimento de soluções como esta.

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Potencial competitivo e desafios regulatórios

A tecnologia da Axia não visa apenas atender às demandas atuais, mas também se posiciona como uma alternativa competitiva frente a outras soluções de armazenamento e despacho de energia. Ao contrário das baterias químicas (BESS), que oferecem poucas horas de autonomia, a planta heliotérmica da Axia Energia demonstrou capacidade de armazenar energia térmica por até três dias e realizar despachos de até 17 horas.

Ricardo Vilaça, gerente de Inovação da empresa, explica que a flexibilidade e a capacidade de despacho prolongado posicionam a tecnologia para competir não apenas com sistemas de armazenamento convencionais, mas também com usinas termelétricas em serviços de capacidade e confiabilidade do sistema elétrico. No entanto, Vilaça aponta que a expansão dessa tecnologia dependerá de um arcabouço regulatório que reconheça e remunere os atributos únicos que ela oferece, como a geração simultânea de energia elétrica e térmica, o armazenamento de longa duração e a capacidade de despacho sob demanda.

“Precisamos de mecanismos que valorizem a inércia, a energia despachável e o armazenamento térmico. À medida que o sistema elétrico brasileiro demandar mais flexibilidade e segurança, tecnologias como a nossa estarão mais preparadas para suprir essas necessidades”, comenta Vilaça.

Além do projeto em Petrolina, a Axia Energia está explorando a integração de data centers com o Complexo Eólico Casa Nova, na Bahia. Neste empreendimento, a empresa investe mais de R$ 85 milhões em uma Planta Híbrida Inteligente que une geração eólica, solar fotovoltaica, sistemas BESS e um data center focado em mineração de bitcoin. O objetivo é otimizar o aproveitamento energético da região Nordeste, mitigando perdas por restrições de transmissão e cortes de geração (curtailment).

A companhia também opera uma planta piloto de geração solar fotovoltaica flutuante integrada a sistemas BESS no reservatório de Sobradinho, na Bahia, validando tecnologias emergentes em ambiente real e contribuindo para a confiabilidade e otimização do despacho energético na rede de distribuição. A estratégia da Axia Energia reflete um movimento crescente na busca por soluções energéticas mais eficientes, flexíveis e sustentáveis, alinhadas às demandas futuras do setor.

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