O setor de infraestrutura enxerga nas usinas reversíveis uma oportunidade estratégica para revitalizar a engenharia pesada nacional, unindo segurança energética e o resgate de uma cadeia industrial de alta complexidade.
A transição energética brasileira pode ser a chave para recolocar o país na vanguarda das grandes obras civis. Durante um encontro recente promovido pela Copel em conjunto com a MegaWhat, líderes dos setores de engenharia e tecnologia apontaram que as usinas reversíveis representam muito mais do que apenas uma solução de armazenamento; elas são um motor potencial para reaquecer o segmento de construção pesada, incluindo a execução de túneis, barragens e a fabricação de componentes eletromecânicos especializados.
Entretanto, para que esse potencial se transforme em canteiros de obras ativos, os especialistas enfatizam a necessidade urgente de um marco regulatório claro. O consenso entre as empresas é que o Brasil possui um vasto legado em projetos hidrelétricos que facilita a adoção da tecnologia, mas que o sucesso da iniciativa depende diretamente da previsibilidade econômica e de prazos contratuais que deem segurança aos investidores.
O legado como vantagem competitiva
Diferente de setores que buscam inovações disruptivas, a tecnologia das usinas reversíveis já é madura. Segundo Tharcizio Calderaro, CEO da PowerChina no Brasil, a execução física desses projetos não apresenta grandes barreiras técnicas, dado o histórico do país com grandes empreendimentos hídricos.
“A gente acredita que esse novo setor, esse novo tipo de projeto, vai servir não só para estabilizar o sistema, mas também para a segurança energética e a recuperação da nossa engenharia”, afirmou Calderaro.
A estratégia da companhia, conforme destacou o executivo, passa pela transferência de conhecimento e pelo estabelecimento de parcerias com empresas de engenharia locais, garantindo que o desenvolvimento dos projetos priorize a robustez técnica em vez de apenas o menor custo de contratação.
Panorama global e complementaridade
A movimentação industrial brasileira acompanha uma tendência mundial. Sérgio Gomes, diretor de Vendas e Marketing da Andritz Hydropower Brasil, ressaltou que o mercado global de reversíveis vive um momento de expansão expressiva, com cerca de 600 GW em projetos planejados em todo o planeta.
O executivo reforçou que o Brasil já exporta expertise, produzindo equipamentos para usinas na Grécia e na Índia. Ao discutir o cenário doméstico, Gomes defendeu uma visão de complementaridade entre as tecnologias de armazenamento. Enquanto as baterias de íon-lítio (BESS) se mostram ideais para respostas rápidas de curta duração, as usinas reversíveis possuem vantagem competitiva em projetos de grande escala e maior duração, sendo capazes de entregar atributos fundamentais ao sistema, como inércia e regulação de potência.
À medida que o Brasil busca equilibrar sua matriz com o aumento das fontes renováveis intermitentes, o debate sobre as reversíveis ganha centralidade. A expectativa é que, com sinais de mercado adequados, o país consiga transformar sua base histórica de engenharia em um diferencial competitivo para sustentar a estabilidade do sistema elétrico nacional nas próximas décadas.
Notícias Relacionadas
-
» Usinas hidrelétricas reversíveis se destacam como opção estratégica para garantir flexibilidade elétrica no Brasil
-
» EPE estuda transformar hidrelétricas com contratos vencidos em usinas reversíveis
-
» Regras Regulamentares São Fundamentais para Desenvolvimento de Hidrelétricas Reversíveis no Brasil





















