O planejamento do setor elétrico brasileiro enfrenta o desafio de definir cronogramas realistas para viabilizar usinas reversíveis, tecnologia essencial para a segurança energética e integração de fontes renováveis.
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) acendeu um sinal de alerta sobre o desenho dos futuros contratos para usinas reversíveis no Brasil. Para o órgão, o equilíbrio entre prazos de implantação e os riscos de execução é a peça-chave para garantir que esses projetos entreguem, de fato, a potência necessária ao sistema nacional sem criar buracos no planejamento.
O receio do setor é que metas excessivamente otimistas em leilões de reserva de capacidade (LRCap) resultem em atrasos críticos. Caso a oferta de energia e flexibilidade não entre em operação na data prevista, o sistema elétrico pode sofrer desequilíbrios, forçando o mercado a realizar gestões de portfólio complexas para contornar a ausência da capacidade planejada.
Desafios na definição de cronogramas
O presidente da EPE, Thiago Prado, destacou a importância de calibrar as janelas contratuais durante um evento organizado pela Copel e pelo portal MegaWhat. A tecnologia, que atua como uma grande bateria hidráulica, é vista como solução estratégica para conferir flexibilidade ao parque gerador brasileiro, cada vez mais dependente de fontes intermitentes, como a solar e a eólica.
> “Muito otimismo traz risco na execução, você começa a fazer rolagem de contrato, o que se informa no mecanismo de reserva de capacidade é muito ruim. Você está contando que uma potência vai entrar, por exemplo, em 2030, e ela rolar para 31, ela cria um buraco”, pontuou Thiago Prado.
Indústria defende margem de segurança
Embora o mercado compartilhe o interesse em prazos curtos, especialistas do setor de engenharia defendem cautela. O entendimento é que as usinas reversíveis possuem peculiaridades construtivas e geológicas que demandam um tempo de maturação maior do que soluções como baterias químicas (BESS).
Representantes da Intertechne sugerem que os contratos prevejam períodos de sete a oito anos para conclusão, permitindo a antecipação como bônus. Já a Andritz Hydropower Brasil enxerga um horizonte entre cinco e seis anos como uma meta viável, desde que o ambiente regulatório ofereça a previsibilidade necessária para os investidores.
Otimização de ativos existentes
O otimismo sobre a viabilidade dessas usinas no país também passa pelo aproveitamento de reservatórios hidrelétricos que já operam. Segundo os especialistas, essa estratégia reduz drasticamente os desafios de licenciamento ambiental e os custos de infraestrutura civil, tornando os projetos brasileiros potencialmente muito competitivos.
Com o amadurecimento das discussões regulatórias, o Brasil caminha para integrar essas usinas ao portfólio de ativos estratégicos. O sucesso da implementação dependerá, contudo, de uma modelagem que trate o tempo de construção com realismo, evitando que a busca pela transição energética sacrifique a segurança do suprimento de energia.























