A INB e a gigante norte-americana Westinghouse estreitam laços para viabilizar as ambiciosas metas de expansão nuclear previstas no PNE 2050, focando na autossuficiência do combustível.
Com o objetivo de preparar o terreno para a ambiciosa meta de atingir 14 GW de capacidade nucleoelétrica, a Indústrias Nucleares do Brasil (INB) deu um passo decisivo rumo ao fortalecimento da cadeia produtiva local. Representantes da estatal estiveram reunidos nos Estados Unidos com executivos da Westinghouse Electric Company para alinhar estratégias de cooperação técnica e industrial.
O encontro foca em um gargalo fundamental para o crescimento do setor no país: a soberania no ciclo do combustível nuclear. Em um cenário global onde a energia atômica volta a ser vista como pilar da descarbonização e da segurança energética, o Brasil busca atrair parceiros internacionais para destravar gargalos históricos em sua produção interna.
Desafios para o ciclo do combustível
O Plano Nacional de Energia (PNE) 2050 projeta um aumento substancial da participação da energia nuclear na matriz elétrica nacional. Contudo, para sustentar esse crescimento, o país precisará elevar a extração de urânio para a marca de 3 mil toneladas anuais.
“A meta é de 14 GW e, para isso, precisamos chegar a uma produção de 3 mil toneladas de urânio, além de viabilizar a ampliação do ciclo do combustível no Brasil“, afirmou Tomás Albuquerque, presidente da INB. A intenção é reduzir drasticamente a dependência de fornecedores externos, garantindo um suprimento estável para as usinas brasileiras através da nacionalização de processos como conversão e enriquecimento.
Transferência tecnológica como trunfo
A Westinghouse, uma das referências mundiais no desenvolvimento de reatores e tecnologias nucleares, é vista como peça-chave nesta estratégia. A multinacional, que detém expertise em metade das usinas em operação no mundo, possui um histórico de longa data com a estatal brasileira.
Para Tomás Albuquerque, a colaboração prévia é o alicerce para essa nova etapa: “Já temos essa parceria e já sabemos como fazer o design dos combustíveis nucleares. A Westinghouse está envolvida com a gente nesse contexto todo“. A expectativa é que esse intercâmbio acelere a capacitação técnica da força de trabalho brasileira e modernize os processos industriais da INB.
Segurança e o futuro da matriz energética
A expansão nuclear ganha fôlego à medida que o Brasil enfrenta o desafio de equilibrar a intermitência das fontes solar e eólica. Como uma fonte de energia firme e de base, a nuclear oferece a estabilidade necessária para sustentar a eletrificação industrial e o consumo crescente de energia por data centers e novos polos tecnológicos.
O futuro do setor no Brasil não se resume apenas a Angra 3. O país já discute a viabilidade de pequenos reatores modulares, conhecidos como SMRs, e o incentivo à mineração como forma de gerar empregos qualificados e promover inovação tecnológica. A parceria com a Westinghouse, portanto, posiciona o Brasil em uma rota mais competitiva no mercado nuclear global, tratando a autonomia do combustível não apenas como um objetivo industrial, mas como um elemento crucial de segurança nacional.























