A gigantesca usina solar Mammoth Solar, em Indiana, entra em sua etapa final de conclusão após um cronograma de obra frenético que instalou 20 mil painéis em um único dia.
O setor de energia renovável nos Estados Unidos acaba de ganhar um novo protagonista de escala monumental. A Doral Renewables anunciou recentemente que as três fases finais do complexo Mammoth Solar, localizado em Winamac, estão prontas para iniciar a operação comercial.
Com a conclusão de Mammoth South, Mammoth Central I e Mammoth Central II, o projeto alcança uma capacidade impressionante de 900 MW em corrente alternada, consolidando um complexo total de 1,3 GW que se posiciona entre os maiores do país.
A execução desta obra chamou a atenção não apenas pela magnitude, mas pela velocidade recorde. Em apenas 18 meses de construção, a força de trabalho, que chegou a registrar 1.800 operários ativos simultaneamente no canteiro, conseguiu atingir picos de produtividade que superam padrões convencionais da indústria.
O dado mais emblemático deste esforço logístico é a instalação de 20 mil painéis solares em um único dia de trabalho.
Eficiência em engenharia e logística
A parceria entre a Doral Renewables e a empreiteira Bechtel foi determinante para superar os desafios impostos pelas variações climáticas severas da região. O sucesso do cronograma foi atribuído, em grande parte, à resiliência dos trabalhadores sindicais que atuaram sob condições de calor extremo, neve e gelo, mantendo o ritmo acelerado da montagem.
A capacidade de mobilizar uma força de trabalho tão numerosa e dedicada, que enfrentou condições adversas para instalar 20 mil painéis em um único dia, é um verdadeiro testemunho de uma maravilha logística de engenharia aplicada à transição energética.
Além da eficiência na montagem, o projeto valorizou a cadeia produtiva local, utilizando aço produzido dentro do estado de Indiana. O suporte financeiro para este avanço foi substancial: em maio de 2025, a empresa assegurou um pacote de financiamento de US$ 1,3 bilhão, parte de um investimento total no complexo avaliado em US$ 1,5 bilhão.
Um comparativo global
A agilidade da Mammoth Solar permite um exercício comparativo interessante com projetos brasileiros, como o parque Assú Sol, no Rio Grande do Norte, operado pela Engie. Enquanto a usina brasileira levou 30 meses para atingir sua plena operação, o complexo em Indiana reduziu esse prazo em 40%, utilizando a força de 1.800 colaboradores diários no pico das atividades.
Embora as métricas de capacidade difiram — sendo 900 MW em corrente alternada para os americanos e 895 MWp (pico) para o projeto potiguar — a eficiência na implementação da infraestrutura solar nos EUA sinaliza uma mudança de paradigma.
A secretária de Energia de Indiana, Suzanne Jaworowski, ressaltou que, diante da crescente demanda por eletricidade, a velocidade com que projetos de infraestrutura chegam à rede tornou-se o principal diferencial estratégico para o desenvolvimento econômico.
O futuro da Mammoth Solar promete ser integrado à sustentabilidade além dos painéis. A Doral Renewables planeja implementar um estudo em parceria com a Universidade Purdue para avaliar o uso do solo para o pastoreio de gado e ovelhas, bem como o cultivo de espécies vegetais específicas sob as estruturas.
Com o início da operação comercial iminente, o setor aguarda agora dados sobre a geração anual esperada e os detalhes dos contratos de compra de energia com as grandes concessionárias locais.
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