Aumento na conta de luz: 3,2 milhões de gaúchos sentirão reajuste de 16% a partir de junho.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) definiu um reajuste médio de 16,06% nas tarifas de energia para aproximadamente 3,2 milhões de consumidores atendidos pela RGE Sul Distribuidora de Energia, no Rio Grande do Sul. A decisão, tomada nesta terça-feira, impactará a conta de luz de residências, indústrias e empresas a partir de 19 de junho, refletindo uma série de fatores que compõem a estrutura tarifária.
Este ajuste se destaca pela recomposição de custos decorrentes da calamidade pública que assolou o estado em 2024. Naquele período, a Aneel optou por congelar as tarifas, criando um saldo regulatório em favor da distribuidora. O reajuste atual visa a recuperação gradual desses valores, além de outros componentes que influenciam o custo da energia elétrica para os consumidores gaúchos.
Fatores que impulsionam o reajuste
A alta nas tarifas é multifacetada, combinando a recomposição de custos operacionais e financeiros. A Parcela A, que abrange energia comprada, transmissão e encargos setoriais, e a Parcela B, relacionada à remuneração da distribuidora, são os principais componentes. Destacam-se o impacto de encargos como a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), que adicionou 2,82 pontos percentuais ao índice final, e os custos de transmissão, com 1,97 ponto percentual, refletindo novos valores aprovados para o uso da rede básica.
Recuperação pós-calamidade e componentes financeiros
Uma parte significativa do aumento está atrelada à recuperação do diferimento tarifário de 2024, estabelecido após as enchentes. Cerca de R$ 424,2 milhões deste período serão recuperados agora. Além disso, componentes financeiros acumulados, como a Conta de Compensação de Variação de Valores de Itens da Parcela A (CVA), somaram 6,87 pontos percentuais, exercendo forte pressão sobre o índice final. No total, os componentes financeiros foram responsáveis por 8,15 pontos percentuais do reajuste.
\”A recomposição dos custos é necessária para garantir a sustentabilidade do serviço e a qualidade do fornecimento, especialmente após eventos de grande impacto como a calamidade de 2024\”, explicou Agnes da Costa, diretora da Aneel responsável pelo relatório da decisão. Ela ressaltou que a agência busca um equilíbrio entre a necessidade de recuperação tarifária e o impacto para o consumidor.
Alívio pontual e o futuro da tarifa
Apesar do cenário de aumento, alguns fatores contribuíram para mitigar um reajuste ainda maior. A reversão de créditos de PIS/Cofins retirou 2,41 pontos percentuais, e a reversão de valores da Conta Escassez Hídrica reduziu o impacto em 1,07 ponto percentual. Para os consumidores residenciais (subgrupo B1), o aumento médio será de 14,97%, enquanto para os de alta tensão, como indústrias, o reajuste chega a 19,02%.
O reajuste aprovado pela Aneel para a RGE Sul evidencia a complexidade da formação tarifária e os desafios enfrentados pelo setor de energia elétrica, especialmente em regiões afetadas por desastres naturais. A medida, embora represente um aumento nas contas de luz, é apresentada como fundamental para a recomposição financeira e a continuidade dos investimentos na infraestrutura de energia no Rio Grande do Sul, um estado que busca se reerguer economicamente.





















