Estudo aponta que o peso da conta de luz no orçamento das famílias brasileiras é um dos mais elevados do planeta, superando dezenas de nações.
A energia elétrica tornou-se um dos itens que mais pressionam o custo de vida no Brasil. Segundo uma análise recente conduzida por Daniel Duque, economista do Centro de Liderança Pública (CLP), o impacto da tarifa residencial no bolso do brasileiro é desproporcional quando confrontado com a realidade de outros 137 países.
Ao utilizar a metodologia de Paridade do Poder de Compra (PPC) — que ajusta os valores para refletir a capacidade real de consumo de cada população —, o Brasil aparece em uma posição alarmante: a eletricidade por aqui é mais custosa do que em 77 das nações avaliadas. Enquanto o valor nominal do kWh gira em torno de US$ 0,179, o ajuste pela PPC eleva esse custo para US$ 0,357, evidenciando o quão caro o serviço se tornou diante da renda média local.
Brasil em foco: comparação com grandes economias
O abismo tarifário fica claro ao observar nações que, assim como o Brasil, possuem matrizes energéticas robustas e alta penetração de fontes renováveis. Enquanto o consumidor brasileiro enfrenta tarifas elevadas, em mercados como a China o custo do kWh residencial fica em US$ 0,079. Na Índia, o valor cai para US$ 0,071, e no Canadá, para US$ 0,122. Esses números revelam que, embora o Brasil tenha potencial para uma energia barata, a estrutura de formação de preço dita um caminho diferente.
O peso da fatura além da geração
É um erro comum acreditar que o valor cobrado na conta de luz reflete apenas o custo da eletricidade produzida. Na verdade, a geração de energia responde por apenas 30,4% do total da fatura. A maior parte do montante final é composta por uma complexa cadeia de custos:
* Distribuição: 26,1% da conta;
* Tributos: 18,1%;
* Encargos setoriais: 15,2%;
* Transmissão: 10,1%.
Na prática, impostos e encargos, somados à infraestrutura de transporte e distribuição, acabam pesando mais na tarifa do que a energia consumida propriamente dita.
O impacto das perdas no sistema elétrico
Outro componente crítico que encarece a eletricidade são as perdas registradas na rede de distribuição, que totalizam 14,3% de toda a energia movimentada no país. Essas perdas dividem-se em dois grupos: as técnicas, que são dissipações naturais inerentes ao processo de transmissão, e as não técnicas — categoria que engloba fraudes, furtos e erros de medição, responsáveis por 7,1% das perdas totais.
Como a regulação vigente permite que as distribuidoras repassem parte desses custos operacionais para os consumidores, a ineficiência do sistema acaba sendo mutualizada na fatura. O resultado é um cenário onde o cidadão paga, indiretamente, pelos problemas estruturais e operacionais que minam a eficiência do setor elétrico nacional.
















