Um estudo aponta que o fenômeno climático “super El Niño” deve pressionar as contas de luz em 2027, elevando as tarifas de baixa tensão em mais de 2 pontos percentuais.
A perspectiva de um “super El Niño” no horizonte de 2027 traz um alerta para o setor elétrico e, consequentemente, para o bolso dos consumidores brasileiros. Projeções recentes elaboradas pela Ampere Consultoria e pela TR Soluções indicam que o fenômeno climático pode desencadear uma alta expressiva nos custos de energia elétrica, afetando diretamente as tarifas de baixa tensão em todo o território nacional.
O levantamento detalha um cenário preocupante: a previsão é de um aumento médio de 2,1 pontos percentuais sobre os reajustes tarifários habituais. Em um exemplo prático, uma distribuidora que planejasse um reajuste de 5% poderia ver esse índice saltar para 7,1% devido aos efeitos climáticos, evidenciando uma pressão extra sobre as despesas das famílias brasileiras.
Disparidade Regional e Impacto no SIN
O impacto financeiro não será uniforme, apresentando variações conforme a região. O Sul do país aparece como o mais vulnerável, com uma projeção de elevação tarifária de 3,3 p.p., enquanto a região Norte deve registrar um reflexo mais contido, na ordem de 0,9 p.p. Essa disparidade deve-se, principalmente, à exposição das distribuidoras regionais a riscos hidrológicos e ao modelo de contratação de usinas por disponibilidade.
Além do reajuste nas tarifas, o fenômeno afeta diretamente o gerenciamento do Sistema Interligado Nacional (SIN). O estudo estima que o volume de armazenamento dos reservatórios, que servem de termômetro para a segurança energética, encerre o período seco em 70% sob influência do “super El Niño” — dez pontos abaixo do que seria esperado em um cenário climatológico neutro.
“A projeção indica que, caso o fenômeno se confirme, bandeiras vermelhas (patamar 1 ou 2) deverão ocorrer entre julho e outubro de 2027, impactando a conta de luz dos brasileiros devido à necessidade de acionamento de usinas mais caras”.
Projeções e o cenário de bandeiras tarifárias
O efeito do fenômeno climático estende-se também ao sistema de bandeiras tarifárias, que pode sofrer um acréscimo médio de 4,5 p.p. nas faturas. A modelagem utilizada pelos especialistas baseia-se em trajetórias hidrológicas que antecipam possíveis falhas no regime de chuvas na região centro-norte do país durante os meses de maior umidade.
Com a expectativa de que o período entre julho e outubro de 2027 seja marcado pelo acionamento de bandeiras vermelhas, o setor elétrico se prepara para um cenário de maior custo operacional. A manutenção dessa tendência depende da confirmação das variáveis climáticas, reforçando a necessidade de um planejamento energético robusto para mitigar as oscilações provocadas por eventos extremos.






















